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Irã afirma que levará a guerra ‘tão longe quanto for necessário’

Ao mesmo tempo, a ofensiva militar israelense também não dá trégua

Irã afirma que levará a guerra ‘tão longe quanto for necessário’
Irã afirma que levará a guerra ‘tão longe quanto for necessário’
Cortina de fumaça no Bahrein, após denúncia de ataque iraniano a uma estrutura de petróleo – foto: Fadhel Madhan/AFP
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O Irã advertiu, nesta segunda-feira 16, que está preparado para prosseguir com a guerra e levá-la “tão longe quanto for necessário”, enquanto os Estados Unidos pressionam as grandes potências para que ajudem suas forças a reabrir o Estreito de Ormuz, crucial para o trânsito de combustíveis.

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou que atacou Tel Aviv e o aeroporto Ben Gurion, em Israel, assim como bases militares utilizadas pelas forças americanas nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein.

Segundo a polícia israelense, fragmentos de mísseis e restos de interceptores caíram em locais sagrados de Jerusalém, incluindo a Esplanada das Mesquitas e “o complexo do Santo Sepulcro”, após disparos vindos do Irã.

“Acho que, a esta altura, eles já aprenderam uma boa lição e entenderam com que tipo de nação estão lidando: uma que não hesita em se defender e está pronta a continuar com a guerra até onde esta levar, e a levá-la tão longe quanto for necessário”, declarou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.

Horas depois, a Guarda Revolucionária ameaçou atacar “em breve” empresas americanas no Oriente Médio e pediu que funcionários evacuem as instalações, sem especificar quais companhias.

Os preços do petróleo dispararam após os ataques iranianos ao transporte marítimo no Estreito de Ormuz e o lançamento de drones no Golfo, em resposta à guerra iniciada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.

O bloqueio dessa passagem estratégica – por onde circula cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás liquefeito – obriga países do Golfo a buscar rotas alternativas para exportar o petróleo, enquanto importadores procuram novas fontes de abastecimento.

“Não querem se envolver”

Os Estados Unidos começarão “muito em breve” a escoltar petroleiros na região, segundo o presidente Donald Trump, que exigiu que a Otan e a China enviem navios de guerra.

Trump afirmou que a Otan enfrentará um futuro “muito ruim” se não contribuir.

Ministros das Relações Exteriores da União Europeia se reuniram para discutir uma possível modificação da missão naval do bloco atualmente presente no Mar Vermelho.

Vários ministros pediram tempo antes de decidir sobre a missão, que atualmente conta com três navios patrulha.

De Londres, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que trabalha com aliados em “um plano coletivo viável” para reabrir o Estreito de Ormuz, mas destacou que “não será, nem nunca foi considerada uma missão da Otan”.

Um porta-voz do chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que “esta guerra não tem nada a ver com a Otan”.

Japão e Austrália também não preveem enviar forças.

Em entrevista coletiva, Trump criticou a cautela de alguns países. “Há 40 anos os estamos protegendo e não querem se envolver”, declarou, incentivando “as outras nações” a se engajar “rapidamente e com grande entusiasmo”.

Apesar do bloqueio, algumas embarcações continuam transitando. Um petroleiro paquistanês atravessou o estreito no domingo, segundo dados da MarineTraffic.

“Estratégia de caos regional”

“O objetivo dos iranianos não é vencer, e sim resistir, ou seja, fazer com que os americanos paguem um preço exorbitante”, explicou à AFP David Khalfa, cofundador do centro de pesquisa Atlantic Middle East Forum, com sede em Paris.

Segundo ele, “adotaram uma estratégia de caos regional calculada com recursos de baixo custo, em particular drones de combate”.

O Irã continua lançando ataques contra bases militares e interesses econômicos dos Estados Unidos nos países vizinhos do Golfo, mas também contra infraestruturas civis como aeroportos, portos e instalações de petróleo.

Um drone provocou um incêndio em um tanque de combustível perto do aeroporto de Dubai, um míssil matou um civil em Abu Dhabi, e outro drone causou um incêndio em uma área que abriga instalações de petróleo no emirado de Fujairah.

“Foram semanas difíceis, ouvindo explosões com frequência”, declarou à AFP uma testemunha no aeroporto de Dubai.

As explosões também atingiram Bagá, capital do Iraque, segundo um jornalista da AFP.

Ao mesmo tempo, a ofensiva militar israelense também não dá trégua.

Israel afirmou ter atacado as cidades iranianas de Shiraz, no sudoeste, e Tabriz, no noroeste, e declarou que ainda possui “milhares de alvos” no país.

Apesar de 17 dias de apagão da internet, alguns iranianos tentam retomar a rotina, com alguns cafés e restaurantes abertos, observaram jornalistas da AFP.

Israel lança ofensiva terrestre “limitada” no Líbano

Em outro front, Israel anunciou ter lançado nos últimos dias “operações terrestres limitadas” contra o movimento pró-iraniano Hezbollah no sul do Líbano, “com o objetivo de melhorar a área de defesa avançada”.

O Líbano foi arrastado para o conflito em 2 de março, quando o Hezbollah atacou Israel em resposta à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei no primeiro dia dos ataques.

Segundo autoridades libanesas, os bombardeios israelenses mataram 886 pessoas desde então e provocaram mais de um milhão de deslocados.

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