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Irã afirma que derrubou caça norte-americano em seu território; EUA resgata piloto

Este é o primeiro revés do tipo para os EUA desde o início da guerra, em 28 de fevereiro

Irã afirma que derrubou caça norte-americano em seu território; EUA resgata piloto
Irã afirma que derrubou caça norte-americano em seu território; EUA resgata piloto
Imagem divulgada nas redes sociais mostra uma aeronave norte-americana, seguida por dois helicópteros, sobrevoando a cidade de Zaras, na província de Khuzistão, no sul do Irã. Foto: UGC/AFP
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O Irã anunciou, nesta sexta-feira 3, que derrubou um caça americano que sobrevoava seu território e ofereceu uma recompensa para encontrar o piloto, no primeiro revés do tipo desde o início da guerra em 28 de fevereiro, desencadeada por bombardeios dos Estados Unidos e de Israel.

Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, o presidente americano, Donald Trump, “foi informado” da situação. Veículos de imprensa americanos destacaram que um dos tripulantes da aeronave foi resgatado, e continuam as operações de buscas para encontrar o segundo tripulante.

Embora o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), responsável pelas operações militares no Oriente Médio, não tenha divulgado informações sobre o incidente, vários meios de comunicação, incluindo o jornal New York Times, confirmaram a derrubada do caça, com base em declarações de fontes militares americanas e israelenses.

A ação seria a primeira do tipo desde 28 de fevereiro, data em que os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã desencadearam uma guerra regional que também afeta a economia mundial.

“As forças militares lançaram uma operação de busca para encontrar o piloto do caça americano que foi atingido hoje” (sexta-feira), informou a agência de notícias Fars, segundo a qual a aeronave pode ter caído na província de Kohgiluyeh e Boyer Ahmad.

Em um canal da televisão estatal iraniana, um repórter anunciou aos moradores da região que “se capturarem o piloto ou os pilotos inimigos vivos e os entregarem às forças policiais e militares, receberão uma valiosa recompensa e uma bonificação”.

‘Derramamos lágrimas’

A sexta-feira foi mais um dia de ataques que atingiram Israel, o Irã e os países do Golfo.

Na zona norte da capital iraniana foram ouvidas fortes explosões, segundo um jornalista da AFP. Israel anunciou uma “onda de ataques em larga escala” em Teerã.

No território israelense, o Exército ativou as defesas aéreas devido a uma nova onda de mísseis procedentes do Irã.

O presidente Donald Trump afirmou, nesta sexta-feira, em sua plataforma, Truth Social, que suas Forças Armadas “nem sequer começaram a destruir o que resta no Irã”.

Ele também ameaçou destruir pontes e usinas elétricas depois que as forças americanas atacaram a maior ponte do Irã, situada em Karaj, a oeste de Teerã, e da qual só ficaram de pé os dois pilares principais. A potência das explosões rachou a estrutura ao meio.

“Temos trabalhado duro para juntar estes elementos, derramamos lágrimas, damos nosso sangue”, contou Roozbeh Yazdi à AFP no local das obras, para onde foi enviada uma equipe de 700 pessoas. A inauguração estava prevista para este verão.

Além das pontes, o presidente americano também disse ter na mira as centrais elétricas, o que deixaria os moradores praticamente sem nenhuma opção energética, segundo um morador de Teerã.

“Não, não temos nenhuma alternativa. Eu tenho uma bateria externa e isso é tudo”, disse à AFP o operador da bolsa de 30 anos, morador da capital.

Por sua vez, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que 70% da capacidade de produção de aço do Irã foi afetada pelos bombardeios.

No início da semana, as duas maiores siderúrgicas do Irã anunciaram a interrupção das operações devido aos bombardeios americanos e israelenses.

Mais gastos militares nos Estados Unidos

Os ataques contra instalações industriais agravam as consequências econômicas da guerra, assim como o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde, antes da guerra, transitavam 20% do petróleo do mundo.

O bloqueio de Ormuz provocou a disparada dos preços do petróleo e do gás natural.

Apenas alguns navios continuam circulando pela via, a maioria de países que mantêm boas relações com o Irã. Segundo uma análise da AFP, 60% dos navios de carga que passam por esta rota zarpam ou se dirigem ao Irã.

O porta-voz militar Ebrahim Zolfagari advertiu que o Irã responderá às ameaças de Trump com ataques contra instalações de energia na região.

No Kuwait, um drone provocou um incêndio em uma refinaria da empresa de petróleo nacional do país e outro ataque causou danos em um complexo de energia e dessalinização, informou a imprensa estatal.

Em Abu Dhabi, uma pessoa morreu e outras quatro ficaram feridas após um incêndio em um complexo gasífero, provocado pela “queda de destroços” após a interceptação de um projétil, informou o governo.

No Líbano, o outro grande alvo da guerra, onde o movimento pró-iraniano Hezbollah e o Exército israelense travam combates desde 2 de março, ao menos 1.345 pessoas morreram, segundo dados do Ministério da Saúde libanês.

Israel afirmou que atingiu mais de 3.500 alvos em todo o Líbano desde o início do conflito.

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano anunciou que três soldados ficaram feridos nesta sexta-feira em uma explosão no sul do país. Três militares da missão morreram em menos de uma semana.

Em plena guerra, a Casa Branca enviou um projeto de orçamento ao Congresso para solicitar 1,5 trilhão de dólares (7,7 trilhões de reais) em gastos de Defesa.

Se for aprovado, os gastos militares passarão de 1 trilhão de dólares (R$ 5 trilhões) em 2026 para 1,5 trilhão em 2027, segundo o documento apresentado ao Congresso, o que implicaria um aumento de 42% no orçamento global do Pentágono, informou a imprensa americana.

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