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Ilhas Canárias se preparam para chegada do cruzeiro com surto de hantavírus

O último balanço da OMS registra um total de seis casos confirmados entre oito suspeitos

Ilhas Canárias se preparam para chegada do cruzeiro com surto de hantavírus
Ilhas Canárias se preparam para chegada do cruzeiro com surto de hantavírus
O navio MV Hondius ancorado na costa próximo ao porto de Praia, capital de Cabo Verde. Créditos: AFP
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As Ilhas Canárias se preparam para a chegada do cruzeiro afetado pelo hantavírus neste domingo 10.

O cruzeiro MV Hondius chegará às Canárias entre 03h00 e 05h00 GMT (00h00 e 02h00 de Brasília), segundo o governo espanhol. “Parte da tripulação” permanecerá a bordo e seguirá depois para os Países Baixos.

No local, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, coordenará a evacuação dos cerca de 150 passageiros e membros da tripulação.

“Cheguei à Espanha, onde me juntarei a altos funcionários do governo em uma missão a Tenerife para supervisionar o desembarque seguro dos passageiros, membros da tripulação e especialistas em saúde do cruzeiro MV Hondius”, escreveu no X o diretor-geral da OMS.

Antes de viajar às Canárias, o responsável da OMS se reunirá neste sábado em Madri com o presidente do governo, Pedro Sánchez, às 17h00 locais (12h00 de Brasília), no Palácio da Moncloa. Depois, embarcará para o arquipélago.

Em uma carta aberta, Ghebreyesus assegurou aos moradores das Canárias o baixo risco representado pela chegada do cruzeiro.

“Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra Covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, escreveu.

Ele também reconheceu que a cepa do hantavírus registrada no cruzeiro “é grave”.

“Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo”, afirmou.

“Esta é a avaliação da OMS, e não a fazemos levianamente”, indicou.

As autoridades das Canárias se opuseram firmemente à atracação do MV Hondius, que finalmente ficará ancorado diante da costa antes das evacuações.

Expectativa no porto

Granadilla observava com certa incredulidade seu protagonismo nas notícias, enquanto mantinha o olhar voltado para o porto.

Embora a imprensa local destaque a “máxima expectativa mundial” com a chegada do cruzeiro a Granadilla, a alguns quilômetros do porto viam-se cenas habituais de um sábado: banhistas madrugadores, a feira ambulante e cafés da manhã no calçadão.

“Acompanhamos as notícias porque temos o navio aqui a três quilômetros. Trabalho em várias áreas de Granadilla e preocupa que haja algum perigo, mais do que tudo para algum trabalhador, mas também não vejo as pessoas muito preocupadas, sinceramente”, explicou à AFP David Parada, vendedor de loteria na rua, impressionado com a quantidade de jornalistas na região.

O último balanço da OMS, divulgado na sexta-feira, registra um total de seis casos confirmados entre oito suspeitos, incluindo um casal de passageiros holandeses e uma alemã mortos por esse vírus conhecido, mas pouco frequente, para o qual não há vacina nem tratamento.

Essa doença pode provocar, em particular, uma síndrome respiratória aguda. Três pessoas já haviam desembarcado em Cabo Verde na quarta-feira.

Uma operação “inédita”

O MV Hondius, da operadora holandesa Oceanwide Expeditions, partiu em 1º de abril de Ushuaia, no extremo sul da Argentina.

“A possibilidade de contágio em Ushuaia é praticamente nula”, garantiu na sexta-feira Juan Petrina, diretor de Epidemiologia e Saúde Ambiental da província da Terra do Fogo.

A ministra espanhola da Saúde, Mónica García, explicou neste sábado que o cruzeiro chegará no domingo entre quatro e seis da manhã no horário local a Granadilla de Abona, na ilha de Tenerife, e ficará “em regime de fundeio, dentro da enseada do porto”.

“Nem parte da bagagem nem o corpo da pessoa falecida [que continua no navio] desembarcarão nas Canárias; permanecerão a bordo junto com parte da tripulação”, esclareceu a ministra.

O navio seguirá para os Países Baixos, onde o governo daquele país e o armador serão responsáveis por todo o processo de desinfecção, confirmou por sua vez o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.

As autoridades espanholas explicaram que os passageiros serão examinados primeiro a bordo do cruzeiro, que lançará âncora diante da costa.

Depois, o Exército os transferirá para terra firme em uma embarcação menor e, em seguida, em ônibus “isolados da população” local até o aeroporto de Tenerife Sul, situado a cerca de dez minutos, para depois serem repatriados de avião a seus países de origem.

O ministro do Interior especificou que primeiro desembarcarão os espanhóis e, depois, seguirão grupos por nacionalidade, desde que o avião esteja pronto para repatriá-los em voos previstos para os Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Países Baixos.

Para os passageiros de países “que não fazem parte da UE e não dispõem de meios aéreos para garantir a repatriação de seus cidadãos”, as autoridades espanholas “estão preparando um plano” em coordenação com os Países Baixos, o armador e a seguradora do navio, detalhou Fernando Grande-Marlaska em uma coletiva de imprensa.

O mecanismo elaborado “impede qualquer contato com a população civil”, ressaltou o ministro.

Nos últimos dias, as autoridades sanitárias de vários países têm se esforçado para localizar as pessoas que estiveram em contato com os casos, a fim de isolá-las e realizar testes.

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