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Holandeses comparecem às urnas para eleições repletas de incertezas

Durante semanas, as pesquisas apontaram uma disputa acirrada entre três candidatos, mas nos últimos dias de campanha registraram um avanço da extrema-direita

Holandeses comparecem às urnas para eleições repletas de incertezas
Holandeses comparecem às urnas para eleições repletas de incertezas
Robin Utrecht / ANP / AFP
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Os holandeses comparecem às urnas nesta quarta-feira (22) para eleições legislativas, convocadas após a renúncia do primeiro-ministro Mark Rutte, que governou os Países Baixos durante um período recorde de 13 amos.

Os locais de votação abriram as portas às 7H30 (3H30 de Brasília) e a jornada eleitoral prosseguirá até 21H00 (17H00 de Brasília), horário em que devem ser anunciadas as primeiras pesquisas de boca de urna.

Durante semanas, as pesquisas apontaram uma disputa acirrada entre três candidatos, mas nos últimos dias de campanha registraram um avanço da extrema-direita.

A Europa acompanha de perto as eleições antecipadas. Rutte desempenhou um papel importante em vários temas, do resgate da zona do euro – quando sua posição a favor da austeridade o deixou muitas vezes em conflito com os países do sul da Europa – até a guerra na Ucrânia.

Dilan Yesilgoz, do Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD, centro-direita) de Mark Rutte, pode tornar-se a primeira mulher a assumir o posto de chefe de Governo. “Chegou a hora”, declarou à AFP.

Frans Timmermans, ex-comissário europeu, que lidera um aliança entre trabalhistas e o Partido Verde, recuperou algum apoio pouco antes da votação, segundo as pesquisas.

Ele é considerado um político que passa confiança, com sólidas referências em questões de meio ambiente, depois que defendeu o Pacto Verde da União Europeia (UE).

Analistas acreditam que os eleitores de esquerda votarão em Timmermans para tentar impedir uma coalizão de direita, após o avanço da legenda de extrema-direita Partido Pela Liberdade (PVV), de Geert Wilders.

Yesilgoz, 46 anos, que nasceu na Turquia, chegou aos Países Baixos aos 8 anos com o pai, um demandante de asilo, o que não a impede de defender a redução da imigração. Ela surpreendeu ao afirmar que estava aberta a uma possível coalizão com o PVV.

Wilders tentou polir sua imagem recentemente e suavizou algumas das suas posições mais extremas. Ele afirmou que existem “problemas mais graves” do que a redução do número de demandantes de asilo e disse que poderia abandonar algumas de suas posições anti-islã.

Um novo partido, o Novo Contrato Social (NSC), do carismático e iconoclasta Pieter Omtzigt, registrou uma leve queda após o rápido avanço nas pesquisas posterior à fundação da legenda em agosto.

Omtzigt, um poliglota de 49 anos, promete tornar a política holandesa confiável novamente, após vários escândalos. Também tem uma posição dura sobre a imigração.

O deputado afirmou diversas vezes que não deseja assumir o cargo de primeiro-ministro, o que gerou dúvidas entre os eleitores. Na véspera das legislativas, ele declarou que está preparado para liderar um governo de especialistas.

Fragmentado

A imigração, o custo de vida e a crise da habitação – que afeta principalmente o eleitorado jovem – foram os principais temas de campanha.

Depois do recorde de longevidade no poder de Rutte, que ganhou o apelido de primeiro-ministro “teflon” por sua capacidade de superar escândalos, os holandeses buscam uma mudança na maneira de governar, segundo os analistas.

Rutte provocou um grande choque no país em julho ao anunciar a queda do governo, após o que chamou de diferenças “irreconciliáveis” sobre a imigração. Poucos dias depois, ele anunciou a aposentadoria da política.

Nenhum partido parece ter condições de superar 20% dos votos em um sistema político fragmentado, o que significa que, imediatamente após o anúncio dos resultados, o país terá longas semanas de negociações para a formação de uma coalizão.

A formação do último governo exigiu o recorde de 271 dias. E agora o clima é de total incerteza.

“Quem afirma que sabe quem vai ganhar as eleições está mentindo”, disse a cientista política Julia Wouters à AFP.

“Tudo ainda pode acontecer”, completou.

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