Haiti condena as declarações ‘racistas’ de Trump sobre migrantes

Em uma reunião privada, em janeiro de 2018, o então chefe de estado dos EUA chamou o Haiti e várias nações africanas de 'países de merda'

Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos. Foto: Mandel Ngan/AFP

Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos. Foto: Mandel Ngan/AFP

Mundo

O Haiti denunciou neste sábado (9) as declarações “racistas” do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que garantiu que a entrada de migrantes daquele país nos Estados Unidos coloca os americanos em risco diante da pandemia de Aids.

“O Haiti tem um grande problema com a Aids. Muitas dessas pessoas provavelmente têm Aids, elas vêm para o nosso país e não fazemos nada”, disse o ex-presidente à Fox News. “É como um desejo de morte para o nosso país”.

De acordo com dados do Banco Mundial, a prevalência de HIV no país caribenho tem diminuído continuamente nos últimos 15 anos e agora é estimada em 1,9% da população de 15 a 49 anos.

A embaixada haitiana em Washington condenou as “declarações racistas e infundadas sobre os migrantes haitianos, em particular, e a população haitiana em geral, do Sr. Donald J. Trump”.

“Esses comentários vis têm com objetivo semear ódio e discórdia contra os migrantes”, denunciou a embaixada em um comunicado.

A chegada, em meados de setembro, de mais de 30 mil migrantes – em sua maioria haitianos – à fronteira entre México e Texas gerou fortes críticas ao governo de Joe Biden por parte do Partido Republicano, que acusou o presidente de ter relaxado as políticas de imigração de Trump.

Em menos de três semanas, mais de 7.500 migrantes haitianos, 20% deles crianças, foram expulsos pelos serviços de migração dos Estados Unidos, que fretaram 70 aviões para a capital, Porto Príncipe, e Cap Haitien, a segunda maior cidade do país.

A embaixada haitiana em Washington também considerou que “o povo civilizado (…) não deve ficar indiferente a esta enésima difamação do povo haitiano pelo ex-presidente Trump”.

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