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Guerra no Oriente Médio: qual é o limite do poder de fogo iraniano?
Especialistas em defesa afirmam que o arsenal iraniano tem mísseis suficientes para semanas de combate
O Irã advertiu os países europeus, nesta terça-feira 3, contra qualquer envolvimento na guerra. Em Israel, uma série de explosões foi ouvida em Jerusalém, depois que o exército afirmou ter detectado novos mísseis lançados do Irã. Mas por quanto tempo a República Islâmica poderia resistir à ofensiva israelo-americana? Com estoques de armamento já reduzidos desde o último confronto, em junho do ano passado, Teerã ainda teria capacidade para continuar os ataques durante semanas.
De acordo com analistas de defesa ouvidos pelo jornalista Boris Loumagne para a emissora FranceInfo, os depósitos de armas iranianas estão longe de serem esgotados. Especialistas na região estimam que os mísseis e drones iranianos poderiam atingir Israel e países do Golfo Pérsico ainda durante algumas semanas.
Atualmente, o Irã teria entre 1.500 e 2 mil mísseis. O país também se tornou um dos maiores produtores de drones militares do mundo, em especial os modelos Shahed – armamento de ataque de baixo custo e longo alcance. Esses drones, frequentemente descritos como “suicidas”, são fabricados em grande escala. A produção atual é estimada em cerca de 50 unidades por dia, além de milhares já armazenadas.
Apesar desse arsenal, os analistas destacam fragilidades importantes na defesa aérea e na Marinha iraniana. A Força Aérea possui cerca de 200 aviões de combate, a maior parte fabricada nas décadas de 1980 e 1990, considerados tecnologicamente defasados. Situação semelhante ocorre na Marinha, cujos equipamentos são pouco modernizados. O país conta com cerca de 30 submarinos, a maioria de pequeno porte, e dezenas de navios de guerra; nove embarcações teriam sido afundadas pelos bombardeios americanos.
Na segunda-feira 2, o Irã afirmou estar preparado para enfrentar Israel e os Estados Unidos em um conflito prolongado. O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, declarou que o país se defenderá “a qualquer custo”.
Complexo nuclear
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou na terça-feira, por meio de uma mensagem na plataforma X, “danos recentes aos edifícios de entrada da instalação subterrânea de enriquecimento de combustível de Natanz, no Irã”, após ataques aéreos israelenses e americanos.
O complexo de Natanz é uma usina de enriquecimento de urânio, que já havia sido atacada por Israel no ano passado. “Não são esperadas consequências radiológicas e nenhum impacto adicional foi detectado no próprio local da instalação, que foi severamente danificada durante o conflito de junho”, acrescentou a AIEA.
Resistência em Teerã
Nesta manhã, fortes explosões foram ouvidas na zona oeste de Teerã, segundo repórteres no local. Mais cedo, o Exército israelense informou ter lançado ataques simultâneos contra Teerã e Beirute.
Israel afirmou ter realizado bombardeios contra o palácio presidencial iraniano e os escritórios do Conselho Supremo de Segurança Nacional, na capital iraniana, como parte da ofensiva iniciada no sábado. Na noite de segunda-feira, “aviões israelenses atacaram e destruíram instalações localizadas dentro do complexo de liderança do regime iraniano, no coração de Teerã”, declarou o Exército israelense.
De acordo com o comunicado, “uma grande quantidade de munições foi lançada sobre os escritórios presidenciais e o prédio do Conselho Supremo de Segurança Nacional”, liderado por Ali Larijani. Desde a morte do aiatolá Ali Khamenei, Larijani consolidou-se como figura central na gestão da crise e possível líder na estrutura de transição, com papel destacado na coordenação da resposta militar contra Israel e Estados Unidos.
Enquanto isso, autoridades iranianas – incluindo um membro da Assembleia e especialistas – afirmaram que a nomeação de um novo Líder Supremo ocorrerá em breve, sem interrupções institucionais ou vazio de poder. Além disso, as autoridades emitiram um alerta interno direcionado a indivíduos suspeitos de colaborar com interesses israelenses ou americanos, afirmando que essas pessoas serão tratadas como combatentes israelenses em território iraniano.
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