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Groenlândia: União Europeia reafirma soberania da ilha e rejeita ameaças de Trump

Após a intervenção militar dos EUA na Venezuela, o presidente norte-americano reiterou sua ambição de anexar a Groenlândia

Groenlândia: União Europeia reafirma soberania da ilha e rejeita ameaças de Trump
Groenlândia: União Europeia reafirma soberania da ilha e rejeita ameaças de Trump
Moradores da Groenlândia protestam contra Trump, que tenta anexar a ilha aos EUA. "Não estamos à venda", diz um manifestante em uma das placas exibidas no ato. Foto: Christian Klindt Soelbeck / Ritzau Scanpix / AFP
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A União Europeia (UE) reafirmou nesta segunda-feira 5 o princípio da soberania nacional após novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à Groenlândia. Na noite de domingo 4, o primeiro-ministro da Groenlândia pediu que Trump moderasse seus planos de anexar a ilha.

“A UE continuará a defender os princípios da soberania nacional, da integridade territorial e da inviolabilidade das fronteiras”, declarou a porta-voz dos diplomatas europeus, Anitta Hipper. “Isso é ainda mais verdadeiro quando a integridade territorial de um Estado-membro da União Europeia é questionada”, acrescentou.

Questionada sobre declarações de Trump segundo as quais a União Europeia precisaria que os Estados Unidos controlassem a Groenlândia — território autônomo sob soberania dinamarquesa —, a porta-voz respondeu: “Certamente que não”.

Dinamarca e Reino Unido também reagem

“Exorto os Estados Unidos a porem fim às suas ameaças contra um aliado histórico e contra um território e um povo que deixaram claro que não estão à venda”, reagiu no domingo a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também reafirmou na segunda-feira seu apoio a Frederiksen, após novas ameaças feitas por Trump.

“Eu a apoio, e ela está certa sobre o futuro da Groenlândia”, disse o líder britânico a jornalistas, acrescentando que “a Groenlândia e o Reino da Dinamarca — e somente eles — devem decidir o futuro da Groenlândia”.

Após a intervenção militar dos EUA na Venezuela, Donald Trump reiterou sua ambição de anexar a Groenlândia, apresentando o controle do território autônomo dinamarquês como essencial para a segurança nacional americana.

“Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional, e a Dinamarca não poderá cuidar dela”, afirmou Trump a repórteres a bordo do Air Force One, na noite de domingo. “Cuidaremos da Groenlândia em cerca de dois meses. Vamos falar sobre a Groenlândia daqui a 20 dias”, completou o chefe da Casa Branca.

Ilha cobiçada

“Chega!”, respondeu o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, em uma publicação no Facebook na mesma noite. “Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo e a discussões, mas isso deve ser feito pelos canais adequados e de acordo com o direito internacional.”

Os Estados Unidos cobiçam a Groenlândia por sua localização estratégica, especialmente para a defesa contra mísseis balísticos russos, além de seus significativos recursos minerais.

Em 21 de dezembro, Donald Trump nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry — defensor declarado da anexação da ilha —, como enviado especial para a Groenlândia.

“Ninguém decide pela Groenlândia e pela Dinamarca, exceto a própria Groenlândia e a Dinamarca”, declarou o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, na plataforma X.

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