Cultura

Grammy reforça mensagem contra a polícia migratória dos EUA

O cantor porto-riquenho Bad Bunny, vencedor do principal prêmio da cerimônia, foi um dos que criticaram a atuação do ICE no governo Trump

Grammy reforça mensagem contra a polícia migratória dos EUA
Grammy reforça mensagem contra a polícia migratória dos EUA
O cantor Bad Bunny na cerimônia do Grammy. Foto: Reprodução/Redes Sociais/Grammy
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Algumas das maiores estrelas da música criticaram duramente, neste domingo 1º, as operações migratórias que abalam os Estados Unidos, ao se reunirem em Los Angeles para a entrega dos prêmios Grammy.

A ira era palpável em relação ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês) do presidente Donald Trump, cujos agentes fortemente armados e mascarados tomaram as cidades americanas.

O assassinato de dois cidadãos americanos por agentes federais no mês passado aumentou a tensão entre muitos habitantes, já preocupados com o que consideram operações indiscriminadas que detêm qualquer pessoa que fale espanhol ou tenha a pele escura.

O porto-riquenho Bad Bunny ditou o tom da noite ao aceitar um dos primeiros prêmios importantes.

“Antes de agradecer a Deus, vou dizer ‘Fora, ICE’’”, declarou o artista de 31 anos, sob os aplausos do público.

Entre os trajes de Valentino, Chanel e Saint Laurent no tapete vermelho, muitos dos presentes acrescentaram um broche com a mensagem “Fora, ICE” aos seus looks.

Entre eles estavam o famoso casal Justin e Hailey Bieber, a veterana cantora Joni Mitchell, o cantor americano Jordan Tyson e a atriz e cantora Helen J. Shen.

Gloria Estefan

“O que está acontecendo não é que estão prendendo criminosos. São pessoas que têm famílias, que contribuíram para este país por décadas, crianças pequenas. Há centenas de crianças em centros de detenção. É desumano”, disse Estefan após ganhar o Grammy de Melhor Álbum Latino Tropical.

“Eu não reconheço meu país neste momento”, acrescentou Estefan, que nasceu em Cuba e emigrou ainda bebê com sua família para os Estados Unidos em 1960, depois que Fidel Castro assumiu o poder na ilha.

Olivia Dean

“Quero dizer que estou aqui como a neta de uma imigrante”, declarou a cantora de raízes guianenses ao ganhar o Grammy de Melhor Artista Revelação.

“Sou o produto da coragem, e penso que essas pessoas (os imigrantes) merecem ser celebradas. Não somos nada uns sem os outros”, acrescentou Dean, que já citou a avó como uma grande influência.

Shaboozey

“Os imigrantes construíram este país”, afirmou a estrela em ascensão do country, após ganhar o Grammy de Melhor Interpretação Country em Dupla ou Grupo.

“Obrigado por trazerem para cá sua cultura, sua música, suas histórias e suas tradições. Vocês dão cor aos Estados Unidos”.

Billie Eilish

A cantora americana, que conquistou o Grammy de Canção do Ano com Wildflower, aproveitou seu tempo no palco para abordar a questão migratória.

“Por mais grata que eu esteja, honestamente não sinto que preciso dizer outra coisa além de que ninguém é ilegal em uma terra roubada”, disse a compositora de 24 anos, que usava o broche “Fora ICE”.

Gonzalo Rubalcaba

“Gostaria de pedir amor, apoio e respeito a todos os latinos e estrangeiros que vêm a este país para trabalhar”, afirmou o pianista cubano Gonzalo Rubalcaba, após ganhar o Grammy de Melhor Álbum de Jazz Latino.

SZA

“É incrivelmente distópico estarmos de gala e podermos celebrar prêmios (…) enquanto há pessoas sendo sequestradas e levando tiros no rosto nas ruas”, disse a cantora de R&B SZA, que compartilhou o prêmio de Gravação do Ano com Kendrick Lamar.

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