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Governo venezuelano restringe acesso à região mais afetada pelos terremotos
A presidente Delcy Rodríguez explicou que a decisão foi tomada após caos e engarrafamentos atrapalharem os esforços de resgate.
O governo venezuelano restringiu, na noite desta sexta-feira 26, o acesso à região costeira de La Guaira, área mais afetada pelos terremotos que deixaram mais de 900 mortos no país.
Segundo a presidente Delcy Rodríguez, a decisão foi tomada após caos e engarrafamentos atrapalharem os esforços de resgate. Diversos voluntários, venezuelanos e vindos de países vizinhos, acudiram à região para tentar ajudar.
O governo disse quem quiser entrar agora em La Guaira terá de buscar autorização oficial.
O chefe da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodriguez, já havia pedido antes à população que entregue ajuda às autoridades em vez de se deslocar até La Guaira para manter as estradas livres.
O tráfego e multidões de motociclistas às vezes atrapalhavam os esforços de busca, relatou a agência de notícias Associated Press na sexta. Soldados mexicanos e voluntários pediam repetidamente silêncio para tentar ouvir sinais de vida sob os escombros, mas motociclistas — civis e uniformizados — continuavam a buzinar e acelerar, para frustração das equipes de resgate.
Algumas pessoas começaram a levar produtos básicos, como papel higiênico e alimentos, de lojas em Catia La Mar, ao lado do principal aeroporto do país. Outras cercaram uma caminhonete civil que distribuía pão e água, até que um soldado interveio. O estacionamento de uma farmácia se transformou em um abrigo improvisado, com lonas, redes e tendas.
Na madrugada deste sábado, a presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, anunciou o envio de 14 mil militares e policiais a La Guaira, estado mais afetado pelos tremores.
Segundo Rodríguez, a região foi “militarizada para garantir a segurança”.
Venezuelanos assumiram por conta própria a busca por entes queridos desaparecidos, citando a escassez de equipes de resgate governamentais e a lentidão da ajuda. Contrariando o discurso do governo, civis relatam ver poucas equipes de resgate do Estado nas áreas mais atingidas.
Na sexta, moradores e voluntários removiam escombros em parte com as próprias mãos, devido à falta de equipamentos pesados, à medida que as primeiras equipes internacionais de ajuda começavam a chegar ao país.
Equipes internacionais de busca e resgate de pelo menos 17 países, entre eles Brasil e Alemanha, se mobilizaram para ajudar.
Os Estados Unidos — que depuseram o antecessor de Rodríguez, Nicolás Maduro, em janeiro — anunciaram ajuda no valor de 150 milhões de dólares, além de um relaxamento das sanções.
Agências de ajuda consideram as primeiras 48 a 72 horas um período crucial para resgatar pessoas com vida, embora esse prazo possa ser estendido caso elas tenham acesso a comida e água.
(Com informações da AFP)
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