Mundo
Governo Trump suaviza veto petrolífero a Cuba, mas pede ‘mudança drástica’ na ilha
O combustível será entregue, segundo Marco Rubio, ao setor privado do país e cortado novamente caso seja usado pelo governo ou por militares
Os Estados Unidos suavizaram, nesta quarta-feira 25, o veto às exportações de petróleo venezuelano para Cuba, mas o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que a ilha deve mudar “drasticamente” e culpou seus dirigentes pela crise econômica e energética que assola a nação caribenha.
Rubio, um cubano-americano crítico do governo comunista de Havana, participou de uma cúpula da Comunidade do Caribe (Caricom) para abordar a situação em Cuba e também na Venezuela.
Durante a reunião realizada na ilha de São Cristóvão e Nevis, Rubio ouviu diversos líderes expressarem preocupação com o risco de a situação em Cuba prejudicar toda a região.
Sobre a Venezuela, Rubio defendeu a operação militar americana que resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro em Caracas.
Após a queda do mandatário venezuelano, os Estados Unidos bloquearam rapidamente as exportações de petróleo do país sul-americano para Cuba, que dependia de seu aliado para satisfazer quase 50% de suas necessidades.
Essa medida provocou uma escassez de combustível na ilha, o que agravou os apagões com os quais a população convive há tempos.
O Departamento de Tesouro americano anunciou nesta quarta-feira que os Estados Unidos permitiriam as exportações de petróleo venezuelano ao setor privado cubano, tanto para uso comercial quanto humanitário.
Contudo, Rubio advertiu que as sanções seriam restabelecidas se o petróleo acabar nas mãos do governo ou dos militares, que dominam a economia da ilha.
“Cuba precisa mudar. Precisa mudar drasticamente porque é sua única oportunidade para melhorar a qualidade de vida de seu povo”, declarou Rubio à imprensa.
“Se [as autoridades cubanas] quiserem implementar essas reformas drásticas que abram espaço para a liberdade econômica e, finalmente, política para o povo cubano, obviamente que os Estados Unidos adorariam ver isso”, acrescentou o titular da diplomacia americana.
Rubio descreveu a crise em Cuba como possivelmente a pior desde a revolução de Fidel Castro em 1959, mas frisou que as autoridades eram as únicas responsáveis por essa situação.
Vontade de estabilidade
Rubio falou pouco depois de Cuba anunciar que havia matado quatro pessoas a bordo de uma lancha rápida registrada no estado americano da Flórida.
O secretário de Estado disse que seu país estava analisando o ocorrido e que responderia “de acordo”.
Muitos líderes caribenhos manifestaram temor de que a crise cubana prejudique o conjunto da região.
“O sofrimento humanitário não beneficia ninguém”, afirmou nesta terça-feira o primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness. “Uma crise prolongada em Cuba não ficará restrita a Cuba.”
Uma ideia que foi compartilhada pelo primeiro-ministro de São Cristóvão e Nevis, Terrance Drew. “Uma Cuba desestabilizada desestabilizará a todos nós”, declarou.
O Canadá, que se distanciou de seu vizinho do sul ao manter relações cordiais com Havana, anunciou uma ajuda de 8 milhões de dólares canadenses (30 milhões de reais) para Cuba.
Eleições ‘democráticas’ na Venezuela
Na cúpula da Caricom, Rubio defendeu a operação contra Maduro com o argumento de que a Venezuela conseguiu avanços “substanciais” desde então.
“A Venezuela está melhor hoje do que estava há oito semanas”, assegurou.
Segundo ele, o país sul-americano entrou em uma nova fase na qual é necessário realizar “eleições justas e democráticas”, mas não ofereceu nenhum calendário.
“Nossa prioridade inicial após a captura de Maduro foi garantir que não houvesse instabilidade, que não houvesse uma emigração em massa e que não houvesse aumento da violência, e acreditamos que conseguimos”, afirmou Rubio.
Desde a queda de Maduro, os Estados Unidos, que defendiam a oposição democrática da Venezuela, têm trabalhado com a mandatária interina Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente do líder chavista.
Trump expressou sua satisfação com Delcy, incluindo a recepção calorosa que ela deu às empresas petrolíferas americanas, embora tenha ameaçado recorrer à violência caso ela não cumprisse suas ordens.
Às margens da cúpula, Rubio se reuniu em separado com o primeiro-ministro do Haiti, Alix Didier Fils-Aime.
Um conselho presidencial de transição criado há quase dois anos transferiu o poder a Fils-Aime este mês com o apoio dos Estados Unidos, após não conseguir combater a violência das gangues de criminosos que controlam grande parte do país, nem realizar eleições.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Cuba sobe o tom contra os EUA e acusa governo Trump de querer provocar ‘catástrofe humanitária’ na ilha
Por AFP
México envia ajuda humanitária para Cuba; Chile e Rússia prometem assistência
Por AFP



