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Governo Milei anuncia plano para construir cerca na fronteira entre Argentina e Bolívia
Argentino se inspira em políticas isolacionistas de Trump e pretende levantar estrutura na província de Salta, no norte do país
Animado com as políticas isolacionistas do aliado Donald Trump nos Estados Unidos, o presidente da Argentina, Javier Milei, pretende construir uma cerca na fronteira do país com a Bolívia. A estrutura, que deverá ter cerca de 200 metros, será erguida na cidade de Aguas Blancas, que fica na província de Salta, no norte argentino.
De acordo com o governo argentino, a ideia é “evitar que as pessoas passem de modo ilegal na fronteira”. Na região, já existe um muro separando Aguas Blancas de Bermejo, que fica no lado boliviano, que serve para evitar inundações. O governo Milei suspeita que a estrutura seja usada para que as pessoas pulem e passem ilegalmente de um lugar para outro, visando fazer compras ilegais.
O representante do governo na cidade, Adrián Zigarán, defendeu a construção do muro, dizendo que milhares de pessoas “andam pelos telhados das casas”. “Não sei por que há tanta confusão contra esse arame”, se queixou o representante, em entrevista à rádio Mitre, da Argentina.
A estrutura separando a fronteira deverá ligar o terminal de ônibus de Aguas Blancas ao escritório regional do departamento de Imigração. Além dos 200 metros de comprimento, o alambrado terá dois metros e meio de altura. A iniciativa é parte do chamado Plano Güemes, liderado por Patrícia Bullrich no Ministério de Segurança Nacional, que pretende endurecer a fiscalização das fronteiras argentinas.
O governo boliviano reagiu ao anúncio do presidente libertário, afirmando que “qualquer medida unilateral pode afetar a boa vizinhança e a convivência pacífica entre os povos irmãos”.
Em comunicado divulgado neste domingo 26, o Ministério de Relações Exteriores da Bolívia se disse preocupado com a iniciativa. “Os assuntos fronteiriços devem ser tratados por meio de mecanismos de diálogo bilaterais estabelecidos entre os Estados para encontrar soluções coordenadas e temas comuns”, destacou a pasta.
Com seus 45 milhões de habitantes, a Argentina tem cerca de 2 milhões de imigrantes. A maior parte deles (60%) é composta por nascidos em países sul-americanos.
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