Mundo
Governo espanhol cria ferramenta para monitorar e responsabilizar discursos de ódio na internet
O instrumento será implementado pelo Observatório Espanhol de Racismo e Xenofobia
O governo espanhol anunciou a criação de “Hodio”, uma ferramenta destinada a medir a presença de discursos de ódio em plataformas digitais e a responsabilizar as empresas que permitirem sua propagação, explicou o primeiro‑ministro Pedro Sánchez nesta quarta‑feira 11.
O instrumento será implementado pelo Observatório Espanhol de Racismo e Xenofobia e utilizará critérios acadêmicos reconhecidos, segundo o chefe do governo espanhol, que tem sido bastante crítico dos proprietários das principais plataformas digitais nos últimos meses.
A Pegada do Ódio e da Polarização (Hodio), seu nome completo, analisará a presença de discurso de ódio e polarização nas principais redes sociais utilizadas na Espanha e publicará um relatório semestral com um ranking para acompanhar sua evolução em cada plataforma, conforme indicado no site do Observatório.
“Vamos publicar os resultados para que todos saibam quem está combatendo o ódio, quem está fechando os olhos e quem está lucrando com o ódio”, explicou Sánchez, que voltou a apontar o dedo para os “oligarcas da tecnologia”.
“O objetivo é muito claro: tirar o ódio das sombras, torná‑lo visível e responsabilizar aqueles que não agem”, acrescentou, observando que os crimes de ódio aumentaram 41% na Espanha na última década.
O líder socialista também reiterou que “a tecnologia é poder” e afirmou que “o ambiente digital não pode ser um espaço sem regras”.
“A partir de agora, acredito que as plataformas de mídia social terão de ser responsabilizadas publicamente por cada conteúdo de ódio que permitirem”, declarou.
No mês passado, Sánchez anunciou uma série de medidas para fortalecer o controle sobre as mídias sociais, incluindo a intenção de proibir o acesso a essas plataformas para menores de 16 anos.
Pouco depois, o governo espanhol solicitou ao Ministério Público que investigasse o X, a Meta e o TikTok pela criação de pornografia infantil usando inteligência artificial (IA), em consonância com ações semelhantes tomadas em outros países.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



