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Governo dos EUA vive mais longa paralisação de sua história

O pivô da crise que entra em seu 22º dia é o muro que Trump quer erguer na fronteira com o México

WASHINGTON, DC - MARCH 01: U.S. President Donald Trump participates in a meeting with leaders of the steel industry at the White House March 1, 2018 in Washington, DC. Trump announced planned tariffs on imported steel and aluminum during the meeting, with details to be released at a later date. (Photo by Win McNamee/Getty Images)
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Em meio a um impasse entre a Casa a Branca e a oposição democrata, a atual paralisação parcial da máquina estatal americana, também chamada de shutdown, entrou em seu 22º dia neste sábado (12/01), o que faz dela a mais longa da história dos EUA. O recorde anterior havia ocorrido em 1966, no governo do ex-presidente Bill Clinton.

A recusa democrata em aprovar 5,7 bilhões de dólares exigidos por Donald Trump para a construção de um muro na fronteira com o México destinado a frear a imigração ilegal, uma de suas principais promessas de campanha, paralisou o governo.

Em resposta, o presidente se recusou a assinar orçamentos de vários departamentos governamentais não relacionados com a disputa. Como resultado, cerca de 800 mil funcionários do Estado – de agentes do FBI a controladores do tráfego aéreo e funcionários de museus – não receberam seus salários nesta sexta-feira.

No mesmo dia, Trump recuou da ameaça de declarar estado de emergência no país caso o impasse com os democratas não fosse resolvido, o que lhe daria poderes para driblar o bloqueio do Congresso.

“Não vou fazer isso tão rápido assim”, disse o presidente. Ele afirmou que declarar estado de emergência seria a maneira mais fácil de acabar com a paralisação do governo, mas que o Congresso precisa assumir a responsabilidade de aprovar os 5,7 bilhões de dólares.

Até o momento, Trump havia sugerido várias vezes estar perto de tomar a controversa decisão de declarar emergência. Não está claro o que fez o presidente mudar de ideia, mas ele reconheceu numa reunião da Casa Branca que a tentativa de adotar a medida poderia resultar em batalhas legais na Suprema Corte.

Leia também: EUA paralisam serviços por falta de verba para muro

Opositores afirmam que uma manobra unilateral do presidente em relação à delicada questão da fronteira seria um abuso constitucional e estabeleceria um perigoso precedente para controversas semelhantes.

O impasse se transformou num teste para Trump, que chegou à Casa Branca gabando-se de sua habilidade de negociar e fazendo de uma política de fronteira agressiva o pilar de sua agenda nacionalista. Democratas, por sua vez, parecem determinados a não conceder uma vitória ao presidente nessa questão.

Cerca de um terço da fronteira com o México já é protegido por cercas, e a necessidade de um muro foi pouco debatida. Mas Trump transformou a questão numa cruzada política, vista por opositores como uma manobra para alimentar a xenofobia de seu eleitorado de direita, enquanto ignora deliberadamente a complexa realidade da fronteira.

Trump visitou a fronteira do Texas com o México nesta quinta-feira numa tentativa de pressionar a oposição democrata a aprovar o financiamento da construção do muro. Num tuíte postado nesta sexta, Trump classificou a imigração ilegal na fronteira sul do país de “crise humanitária” e “invasão”, apesar de as travessias terem diminuído nos últimos anos.

Nancy Pelosi, líder democrata da Câmara dos Representantes e figura-chave da oposição à agenda de Trump, afirmou que dinheiro deveria ser investido em segurança de fronteiras, mas não em muros.

Entre os órgãos governamentais que não estão recebendo verbas durante a paralisação estão as secretarias de Estado, Agricultura, Transporte, Interior e Justiça. Alguns dos famosos parques nacionais do país estão fechados, assim como os museus Smithsonian e o Zoológico Nacional em Washington.

Quase todos os funcionários da agência espacial Nasa receberam instruções para permanecerem em casa. O mesmo ocorre com a agência do Departamento do Tesouro responsável pela coleta e restituição de impostos.

A Câmara dos Representantes e o Senado votaram nesta sexta-feira a favor de assegurar pagamento retroativo aos funcionários públicos assim que a máquina estatal voltar a funcionar normalmente. O presidente ainda precisa assinar a legislação.

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