Mundo

Governo do Equador anuncia retomada de negociação com indígenas

A pedido dos indígenas, a Igreja Católica fará a mediação

Povos indígenas da Amazônia equatoriana se manifestam contra o governo. Foto: Rodrigo BUENDIA / AFP
Povos indígenas da Amazônia equatoriana se manifestam contra o governo. Foto: Rodrigo BUENDIA / AFP
Apoie Siga-nos no

O governo do Equador anunciou na quarta-feira à noite que retomará as negociações com manifestantes indígenas, ao mesmo tempo que ordenou um novo estado de exceção depois de mais de duas semanas de protestos contra o aumento dos preços.

As negociações, ainda sem data nem local definido, serão acompanhadas pela Igreja Católica para tentar desativar a crise, que começou em 13 de junho com o bloqueio de estradas e confrontos violentos entre manifestantes e as forças de segurança. O balanço até o momento é de seis mortos e mais de 600 feridos.

Para “devolver a tranquilidade ao povo equatoriano, decidimos aceitar o processo de mediação que será promovido pela Conferência Episcopal Equatoriana”, disse o ministro do governo Francisco Jiménez.

A mediação da Igreja Católica, solicitada pelos indígenas após o fracasso de uma primeira tentativa de acordo, ajudará a “alcançar uma solução definitiva do conflito”.

As negociações entre o Executivo e a poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie) começaram na segunda-feira em Quito, mas um dia depois foram suspensas pelo presidente de direita Guillermo Lasso.

Liderada por Leônidas Iza, a Conaie, que participou em protestos que derrubaram três presidentes entre 1997 e 2005, exige uma redução de até 21% nos preços dos combustíveis.

O presidente, no poder há 13 meses, decidiu suspender as conversas após um ataque atribuído a manifestantes contra militares e policiais na Amazônia, que deixou um agente morto e 12 feridos. Ele declarou que seu governo “não vai negociar com os que mantêm o Equador como refém”.

Apesar do anúncio de retorno às negociações, Lasso decretou na quarta-feira estado de exceção por 30 dias em quatro das 24 províncias do país, citando uma “grave comoção interna”.

A medida envolve as andinas Azuay e Imbabura e as amazônicas Sucumbíos e Orellana, segundo o decreto divulgado pela Secretaria de Comunicação da presidência. O texto não inclui Pichincha, cuja capital é Quito, onde a maioria dos cerca de 14 mil manifestantes estão reunidos.

O documento aponta que, nessas jurisdições, a segurança dos cidadãos está ameaçada, bem como o abastecimento de alimentos, remédios, oxigênio para uso hospitalar e combustíveis. No marco do estado de exceção, que se estenderá por 30 dias, Lasso estabeleceu como “zona de segurança” os locais que abrigam campos de exploração de petróleo na Amazônia.

Com a medida, o Executivo poderá mobilizar os militares às ruas para restabelecer a ordem. Também serão adotados toques de recolher noturnos de até 10 horas.

Por pressão dos indígenas para abrir a possibilidade de um diálogo, Lasso suspendeu no sábado o estado de exceção em Imbabura e outras cinco províncias, incluindo Pichincha (cuja capital é Quito).

A estatal Petroecuador ativou o mecanismo de “força maior” para parte de seus compradores de petróleo bruto, a fim de evitar punições por descumprimentos no despacho dos embarques. Autoridades alertaram para o risco de que toda a produção seja paralisada.

AFP

AFP
Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.

Tags: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.