Gaza vive trégua 11 dias após bombardeio de Israel

A escalada da violência na região deixou 248 palestinos mortos, entre eles 66 crianças e combatentes

Menino palestino caminha entre destroços na Faixa de Gaza, após ataques israelenses. Foto: Emmanuel Dunand/AFP

Menino palestino caminha entre destroços na Faixa de Gaza, após ataques israelenses. Foto: Emmanuel Dunand/AFP

Mundo

Com os cafés abertos de novo e os pescadores se preparando para voltarem à atividade, Gaza parecia mais tranquila neste sábado 22, enquanto a comunidade internacional organiza a ajuda de emergência e começa a negociar a reconstrução do enclave palestino 11 dias após o bombardeio de Israel.

 

 

 

As equipes de resgate continuam procurando sobreviventes entre os escombros depois de retirarem na sexta-feira cinco corpos e uma dúzia de sobreviventes dos túneis subterrâneos, bombardeados pelo exército israelense.

As hostilidades entre o movimento islamita Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e Israel, que impõe um bloqueio a este pequeno território desde 2007, obrigaram os pescadores a ficarem em casa por quase duas semanas.

 

“Tudo está perdido”

Na sexta-feira à noite, as famílias também puderam voltar aos cafés da costa para fumar shisha. Nas lojas do distrito de Al-Rimal de Gaza, debaixo do prédio de 10 andares destruído em um ataque israelense, os manequins de plástico vestidos com as coleções de 2021 estavam cobertos por uma grossa camada de poeira.

“Isso é a poeira das bombas israelenses, que se prenderam na roupa. Não poderemos vender esta mercadoria”, lamenta Bilal Mansur, um vendedor de 29 anos.

“Nossos estoques estavam cheios porque nos preparávamos para o Aíd, o final do Ramadã, quando as vendas são boas. Mas agora tudo está perdido”, acrescentou Waël Amin Al, dono de uma loja vizinha repleta de cacos de vidro. “Talvez eu tenha perdido o equivalente a 250 mil dólares em mercadorias. Quem vai pagar tudo isso? Quem?”, ele se pergunta.

A escalada da violência na região deixou 248 palestinos mortos, entre eles 66 crianças e combatentes, segundo as autoridades de Gaza. Em Israel, o lançamento de foguetes a partir de Gaza matou 12 pessoas, entre elas uma criança, um adolescente e um soldado, segundo a polícia.

Pouco depois de a trégua entrar em vigor às 2h da madrugada de sexta-feira, os dois lados declararam vitória.

O chefe do gabinete político do Hamas, Ismail Haniyeh, celebrou uma “vitória estratégica” contra Israel e disse que “deu um golpe severo e doloroso que deixará profundas marcas” em seu adversário.

“Alcançamos os objetivos, é um sucesso extraordinário”, disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, ao comentar a ofensiva israelense contra o território palestino, onde vivem cerca de dois milhões de palestinos.

“Mais de 200 terroristas, entre eles 25 oficiais de alto escalão, morreram”, afirmou.

No entanto, o cessar-fogo anunciado na quinta-feira à noite por ambas as partes não estabeleceu uma data limite para o fim dos combates e continua sendo frágil.

O ministro da Defesa israelense, Benny Gantz, disse que “nossos inimigos não têm nenhum certificado de imunidade”, enquanto um porta-voz dos grupos armados palestinos em Gaza afirmou: “Nossa mensagem ao inimigo é clara: se voltarem, nós também voltaremos”.

 

Reconstrução

Duas delegações egípcias chegaram a Israel e aos territórios palestinos “para supervisionar” o cumprimento do cessar-fogo, segundo a imprensa estatal egípcia.

Enquanto vários comboios de ajuda humanitária de emergência chegavam em Gaza na sexta-feira, o ministro de Exteriores egípcio disse que recebeu uma ligação de seu homólogo israelense para discutir as medidas necessárias para facilitar a reconstrução em Gaza.

Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou na sexta-feira que deseja fornecer uma ajuda financeira “significativa” com a ajuda da comunidade internacional para “reconstruir Gaza”, mas sem dar ao Hamas – considerado terrorista pelos Estados Unidos – “a oportunidade de reconstruir seu sistema de armamento”.

Ele também reiterou a solução de dois Estados, uma Palestina independente junto a Israel, destacando-a como “a única resposta possível”, enquanto espera que o chefe da diplomacia americana Antony Blinken visite o Oriente Médio “nos próximos dias”.

As negociações de paz entre israelenses e palestinos, suspensas desde 2014, encontram muitos obstáculos, como o status de Jerusalém Oriental e a colonização israelense dos territórios palestinos.

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