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França investiga possível interferência de Israel contra candidatos de esquerda

Empresa israelense teria realizado uma campanha de desinformação contra vários candidatos do partido França Insubmissa

França investiga possível interferência de Israel contra candidatos de esquerda
França investiga possível interferência de Israel contra candidatos de esquerda
O deputado François Piquemal, do partido França Insubmissa (LFI). Foto: Julien de Rosa/AFP
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O Ministério Público de Paris abriu uma investigação sobre uma possível ingerência estrangeira por parte de uma empresa israelense nas eleições municipais francesas de março, após uma campanha de desinformação contra vários candidatos do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI).

Estão sendo investigadas operações realizadas durante as eleições municipais de março contra três candidatos da LFI, de Marselha e Toulouse (sul) e de Roubaix (norte).

Os crimes sob investigação são “inteligência com uma potência estrangeira”, “desvio do sufrágio de eleitores por meio de notícias falsas ou manobras fraudulentas” e “apologia online do terrorismo”, levando em conta “alguns logotipos utilizados”.

Segundo os candidatos, eles foram alvo de campanhas de difamação com acusações falsas, imagens falsas de campanha e manipulações nas redes sociais.

“Você pega o carro e vê um cartaz com seu nome e um QR code que remete a falsas acusações de estupro”, relatou na última quarta-feira à imprensa, em Paris, Sébastien Delogu, candidato da LFI em Marselha.

Por sua vez, o candidato François Piquemal, de Toulouse, mencionou páginas criadas em “redes sociais com os piores boatos” e a “divulgação” de suas “senhas de redes sociais, imagens falsas de campanha”.

A campanha foi conduzida a partir de Israel, disse à AFP uma fonte familiarizada com o caso. Já o jornal francês Libération e o israelense Haaretz apontaram que duas empresas sediadas em Israel teriam estado envolvidas.

Os candidatos consideram que foram alvo em razão de seu compromisso com a causa palestina.

Segundo o MP, os magistrados baseiam-se também em publicações do Viginum, serviço encarregado de combater a manipulação online, que mencionava um “mecanismo de difusão artificial ou automatizada para propagar conteúdos manifestamente inexatos ou enganosos”.

De acordo com o Viginum, “essa campanha mal-intencionada, que envolve um ator sediado no exterior, pode prejudicar os interesses fundamentais da nação”.

Por outro lado, os magistrados tiveram acesso a artigos de imprensa que indicavam que por trás desses atos estaria a empresa BlackCore, com sede em Tel Aviv, informou o MP.

O Ministério Público lembrou que a noção de “ingerência” não se refere a “interesses de uma pessoa ou empresa estrangeira”, mas sim a “um Estado estrangeiro” e que, por ora, não foi levantada “nenhuma suspeita de uma intervenção desse tipo”.

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