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Ex-primeira-dama da Coreia do Sul é condenada à prisão

Tribunal determinou pena de 20 meses a Kim Keon Hee por ter aceitado subornos da Igreja da Unificação. Em três semanas, Yoon Suk Yeol, marido dela e ex-presidente, terá pedido de pena de morte julgado por tentativa de golpe

Ex-primeira-dama da Coreia do Sul é condenada à prisão
Ex-primeira-dama da Coreia do Sul é condenada à prisão
Kim Keon Hee, ex-primeira-dama da Coreia do Sul, condenada à prisão – foto: Anthony Wallace/AFP
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A Justiça da Coreia do Sul condenou a ex-primeira-dama Kim Keon Hee a 20 meses de prisão nesta quarta-feira 28 por corrupção, ao aceitar bolsas Chanel e um pingente de diamantes de membros da Igreja da Unificação em troca de favores políticos.

A esposa do ex-presidente Yoon Suk Yeol, destituído do cargo no ano passado, foi absolvida de outras duas acusações: manipulação do preço das ações e violação da lei de financiamento político. Os promotores vão recorrer das sentenças de inocência, segundo a mídia local.

Seu marido aguarda julgamento por acusações de tentativa de golpe de Estado que podem resultar em pena de morte ou prisão perpétua.

A derrocada do casal presidencial ocorreu após tentativa frustrada de Yoon de impor uma lei marcial, em dezembro de 2024, o que levou ao seu impeachment e à destituição do cargo. Ele foi condenado a cinco anos de prisão este mês por obstrução de Justiça e por não seguir o devido processo legal antes de declarar lei marcial, no primeiro de oito julgamentos criminais a que responde na Justiça do país.

Kim está presa desde agosto, quando o tribunal de Seul aprovou um mandado de prisão contra ela, sob o argumento de evitar uma eventual destruição de provas. O ex-presidente também está preso, em outro local. Investigadores afirmam que Kim não esteve envolvida na trama golpista de Yoon.

Sentença é muito branda, dizem oponentes

“Por ser a pessoa mais próxima do presidente, a primeira-dama pode exercer uma influência significativa sobre ele e é uma figura simbólica que representa o país”, afirmou o tribunal durante a sentença, transmitida pela televisão. “Mas a ré explorou sua posição para obter ganhos pessoais.”

Kim disse por meio de seus advogados que “aceitaria humildemente” a opinião do tribunal e “pediria desculpas novamente a todos por causar preocupações”.

A sentença de 20 meses desagradou os promotores, que pediram uma pena de 15 anos de prisão para Kim por ter aceitado subornos e pelas duas acusações das quais foi absolvida por falta de provas.

O Partido Democrático Liberal, que liderou o processo de destituição de Yoon, criticou a decisão como um sinal errado de que “abusos de poder como os de Kim Keon Hee podem ser tolerados”.

A defesa de Kim afirmou que a investigação foi motivada por questões políticas e avalia se irá recorrer.

Igreja da Unificação nega tentativa de suborno

No centro da condenação, estão os presentes dados pela Igreja da Unificação à ex-primeira-dama. A entidade afirmou que não esperava nada em troca, e sua líder, Han Hak-ja, que também está sendo julgada, negou que estivesse tentando subornar Kim.

A denominação religiosa, fundada na Coreia do Sul, se define como “religião da paz” e afirma ter como objetivo promover a unificação das duas Coreias. Ela é liderada pelo reverendo Sun Myung Moon, que morreu em 2012, sendo substituído por sua mulher.

A igreja é acusada de empobrecer fiéis e de envolvimento com a política, não só na Coreia do Sul. Grande parte dos políticos do partido no poder no Japão tem ligação com culto, o que veio à tona com o assassinato do ex-premiê japonês Shinzo Abe, em 2022.

O assassino confesso de Abe, Tetsuya Yamagami, acusou o político de promover a igreja, que alega ter levado sua mãe à falência por meio de doações. A Igreja da Unificação afirma que todas as contribuições que recebe são voluntárias.

Julgamento sobre pena de morte de ex-presidente

Em três semanas, o tribunal de Seul deve proferir seu veredito sobre o pedido de pena de morte para o ex-presidente Yoon Suk Yeol, acusado de planejar uma insurreição ao tentar impor lei marcial.

A legislação sul-coreana determina que o crime é passível de punição severa, podendo chegar à pena de morte se for considerado culpado, embora o país não execute uma sentença deste tipo há quase três décadas.

Nas alegações finais no Tribunal Distrital Central de Seul, um promotor disse que os investigadores confirmaram a existência de um esquema supostamente dirigido por Yoon e seu ex-ministro da Defesa, Kim Yong-hyun, com o objetivo de manter Yoon no poder.

Em dezembro de 2024, Yoon enviou tropas e policiais para cercar a Assembleia Nacional, mas uma multidão reunida a favor da destitição do então presidente não permitiu que o prédio fosse isolado. Legisladores, incluindo alguns governistas, se reuniram e rejeitaram o decreto de lei marcial.

Yoon foi posteriormente acusado pela Assembleia Nacional, preso por promotores e formalmente destituído do cargo após uma decisão do Tribunal Constitucional.

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