Ex-diretores da Ford condenados por colaborar com ditadura argentina

Dois ex-funcionários foram considerados culpados de participar de sequestro e tortura de sindicalistas nos anos 1970

Mundo

Um tribunal argentino condenou dois ex-diretores de uma fábrica local da montadora americana Ford por participarem do sequestro de trabalhadores da companhia durante a ditadura do país na década de 1970.

O caso envolve o sequestro em 1976 de 24 trabalhadores de uma fábrica da Ford nos arredores de Buenos Aires.

É a primeira vez que ex-funcionários de uma multinacional com atuação na Argentina durante a ditadura foram condenados por crimes contra a humanidade.

Os ex-diretores locais da Ford Pedro Muller e Hector Sibilla foram condenados a 10 e 12 anos de prisão, respectivamente, pelo envolvimento no sequestro e tortura dos trabalhadores, disse Elizabeth Gomez Alcorta, uma advogada que representa as vítimas. Sibilla é ex-diretor de segurança da empresa e Pedro Muller, ex-gerente de manufatura.

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Eles foram acusados de fornecer fotografias, endereços residenciais e outros dados pessoais das vítimas aos agentes. Ainda segundo a denúncia,  dupla também “permitiu que um centro de detenção fosse montado dentro das instalações da fábrica, na área de lazer, para que os sequestrados pudessem ser interrogados”.

Nesse local, eles foram algemados, espancados e tiveram seus rostos cobertos para que eles não pudessem ver quem estava conduzindo o interrogatório.

A Argentina foi governada por uma ditadura militar entre os anos de 1976 a 1983. Cerca de 30 mil cidadãos foram assassinada no período.

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A Ford Argentina disse em nota que não foi parte envolvida no processo e que cooperou inteiramente com os promotores.

Muller e Sibilla “forneceram os meios necessários” para agentes da ditadura identificarem integrantes importantes do sindicato que representava trabalhadores da fábrica “para que eles pudessem ser detidos”, segundo uma nota da agência oficial de informações do Judiciário da Argentina.

Questionado sobre os próximos passados, Tomas Ojea Quintana, outro advogado das vítimas, disse que eles estão avaliando processar a Ford Motor nos Estados Unidos.

“Está claro que a Ford Motor Company tinha controle da subsidiária argentina durante a década de 70. Portanto, há uma responsabilidade direta da Ford Motor Company e isso pode nos dar a possibilidade de levar o caso a tribunais dos EUA”, disse ele.

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