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Evangélico coreano investe em nova versão impressa da Newsweek

Em outros tempos uma publicação liberal em relação à sua rival Time, os coproprietários do semanário seriam testas de ferro de uma controversa igreja cristã. Por Gianni Carta

Evangélico coreano investe em nova versão impressa da Newsweek
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Mesmo com uma pequena tiragem de 100 mil exemplares semanais, a Newsweek Global certamente terá um considerável impacto sobre os cristãos fundamentalistas dos EUA. Sim, aqueles mesmos que votaram em George W. Bush.

Durante a maior parte de suas oito décadas de vida, a Newsweek, que chegou a ter uma circulação de 7 milhões de exemplares (4 milhões nos EUA e 3 milhões mundo afora), foi uma versão menos conservadora do que sua rival Time.

No final do século passado mudou de linha. Começou a publicar capas dignas da revista Veja.

Indagado sobre o motivo da reviravolta em 2009, um vice-diretor da Newsweek me disse em um escritório da revista em Nova York: “Precisamos vender anúncios, e, além disso, nunca fomos verdadeiramente liberais”.

Mesmo com capas com títulos mais propícios para revistas de saúde como – “Como perder peso” – a publicação continuou a acumular dívidas.

Em 2010, o publisher Sidney Harman comprou a revista da Washington Post Company por 1 dólar.

Ainda naquele ano, a Newsweek fez uma parceria com o website online The Daily Beast, título inspirado no divertido livro de Evelyn Waugh, The Scoop. O nova sociedade, da empresa digital IAC/InteractiveCorp, passou a ser chamada de The Newsweek Daily Beast Company.

A Newsweek deixou de ser impressa em dezembro de 2012. O motivo já é manjado: a cada número a revista ficava mais endividada. E embora com uma audiência de até 16 milhões por mês, The Daily Beast também não vingou em termos de lucro.

A revista passou a ser lida somente online.Foi então que a IBT Media, uma organização norte-americana de publicações digitais, passou a ter uma participação no website da revista e site falidos.

Cofundadora do site The Daily Beast, Tina Brown, ex-editora de revistas de renome como Vanity Fair e editora-chefe da Newsweek e do site The Daily Beast, deixou a empresa faz dois meses.

Jim Impoco, substituto de Tina Brown, agora quer tornar Newsweek uma leitura “novamente indispensável”. A IBT Media comprou a Newsweek da IAC, que ficou com o The Daily Beast.

Resta saber para quem a leitura de Newsweek será indispensável, já que a IBT Media pertence a Jonathan Davis e a Etienne Uzac. Ambos, segundo o diário francês Libération, serviriam de testas de ferro para uma controversa igreja evangélica do pastor coreano David Jang.

Uzac, de 30 anos, sem nenhuma experiência na esfera jornalística, diz que Jang é “respeitável” e sua “fé” não interfere nos negócios. Isso significa, embora Uzac não o diga, que Jang teria uma participação na IBT Media.

Detalhe: a soma envolvida na compra da Newsweek não foi divulgada.

Uzac não nega na entrevista ao diário Libération ser discípulo de Jang. Ele foi apresentado ao pastor coreano pela mulher de seu sócio Davis. Ela é presidente da Olivet University, uma universidade cristã nos EUA.

E o próprio Uzac é diretor do conselho de administração dessa obscura universidade faz cinco anos.

Conflito de interesses?

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