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EUA suspende venda bilionária de armas a Taiwan
Após Xi Jinping alertar Trump durante visita recente à China, os EUA recuam, alegando necessidade de priorizar estoque de munição para a guerra no Irã. Pequim vê Taiwan como província rebelde
O governo dos Estados Unidos congelou a venda de 14 bilhões de dólares (70 bilhões de reais) em armas a Taiwan, alegando necessidade de assegurar munição suficiente para a guerra no Irã.
A informação partiu do chefe interino da Marinha americana, Hung Cao. “No momento estamos fazendo uma pausa para garantir que temos as munições de que precisamos para a Epic Fury”, afirmou ele durante uma audiência no Congresso nesta quinta-feira 21, citando o nome oficial da operação militar americana no Irã.
“E temos muitas [armas]”, ressalvou. “Mas estamos apenas nos certificando de que temos tudo. Depois disso, as vendas militares externas continuarão quando o governo considerar necessário.”
Segundo Cao, contudo, a decisão final é dos secretários da Defesa, Pete Hegseth, e de Estado, Marco Rubio.
Nesta sexta, o Gabinete Presidencial de Taiwan disse não ter informações de que os EUA “pretendam fazer qualquer ajuste nessa venda de armas”.
A venda de armas americanas a Taiwan é um tema que incomoda a China. Pequim vê Taiwan como uma província dissidente que deve ser colocada sob seu controle pela força, se necessário, e vê com maus olhos o apoio de Washington à sua autonomia.
Declaração vem após visita de Trump à China
O Departamento de Estado e o Pentágono não se manifestaram sobre as declarações de Cao, feitas uma semana depois de uma visita do presidente Donald Trump à China.
Antes da viagem, Trump disse que trataria da venda de armas com o presidente chinês, Xi Jinping – contrariando posicionamento anterior de Washington.
Depois, Trump afirmou que não havia feito nenhum compromisso com Xi sobre Taiwan e que tomaria uma decisão sobre as vendas de armas “em breve”.
A China prometeu tomar a ilha e não descartou o uso da força, intensificando a pressão militar nos últimos anos.
Como outros países que mantêm relações diplomáticas formais com a China, os Estados Unidos não reconhecem Taiwan como um país, mas é o principal aliado e fornecedor de armas da ilha. O país é obrigado por lei a fazê-lo, para ajudá-la a se defender.
Em uma entrevista à Fox News, durante o voo de volta aos Estados Unidos após a viagem da semana passada a Pequim, Trump disse que as vendas de armas para Taiwan são “uma ferramenta de negociação muito boa” nas relações de Washington com a China.
Na quarta-feira, ao marcar dois anos no cargo, o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, disse que, se tivesse a oportunidade, diria a Trump para continuar as compras de armas dos EUA, que Lai classificou como essenciais para a paz.
Xi advertiu Trump sobre Taiwan
Ao ser questionado sobre os comentários de Cao, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, disse que “a oposição da China à venda de armas dos EUA para a região chinesa de Taiwan é consistente, clara e resoluta”.
Na semana passada, durante a visita de Trump a Pequim, o presidente Xi fez um forte alerta, dizendo que a “questão de Taiwan” é o tema mais importante nas relações entre EUA e China e que os dois países podem “ter confrontos e até conflitos” se a questão não for tratada de maneira adequada.
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