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EUA rejeitam definitivamente transferir aviões de guerra poloneses à Ucrânia

Segundo o Pentágono, o envio de aeronaves ‘poderia levar a uma reação russa significativa que aumentaria a perspectiva de uma escalada militar’

A cidade de Mariupol  em 5 de março (Créditos: SATELLITE IMAGE ©2022 MAXAR TECHNOLOGIES / AFP)
A cidade de Mariupol em 5 de março (Créditos: SATELLITE IMAGE ©2022 MAXAR TECHNOLOGIES / AFP)
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Os Estados Unidos rejeitaram definitivamente a proposta da Polônia de entregar aeronaves MiG-29 aos militares americanos para que fossem repassados à Ucrânia em meio à operação militar deflagrada pela Rússia, anunciou o Pentágono nesta quarta-feira 9.

Segundo o porta-voz do Pentágono, John Kirby, os serviços de inteligência acreditam que a transferência de aeronaves “poderia levar a uma reação russa significativa que aumentaria a perspectiva de uma escalada militar com a Otan”.

O secretário de Defesa norte-americano, Lloyd Austin, conversou com o ministro da Defesa polonês, Mariusz Blaszczak, e agradeceu a Varsóvia pela disposição de cooperar com os esforços para apoiar a Ucrânia. “Mas ele ressaltou que não apoiamos a transferência de aeronaves de combate para a Força Aérea Ucraniana neste momento, então também não desejamos vê-los sob nossa custódia”, explicou Kirby.

O plano polonês previa o envio de seus caças MiG-29 da era soviética a Kiev por meio de uma base aérea americana na Alemanha. No passo seguinte, os Estados Unidos complementariam a frota polonesa com caças F-16.

Nesta quarta 9, tropas russas chegaram perto de Kiev, na véspera da primeira reunião de alto nível entre os dois países desde a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro. Na quinta 10, deve acontecer uma conversa na Turquia entre o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, e o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Dmytro Kuleba. O mediador será o chanceler turco, Mevlut Cavusoglu.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, entre 2,1 milhões e 2,2 milhões de ucranianos fugiram de seu país desde o início do conflito.

Também nesta quarta, o Conselho do Fundo Monetário Internacional aprovou um financiamento emergencial de 1,4 milhão de dólares para a Ucrânia. A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, declarou que o pacote fornecerá um “apoio financeiro crítico” que, por sua vez, catalisará uma “mobilização em larga escala” de fundos necessários para “mitigar os impactos econômicos da guerra”.

Cessar-fogo à vista?

A Ucrânia está “pronta para uma solução diplomática” que encerre a operação militar deflagrada pela Rússia, afirmou Ihor Zhovka, vice-chefe de gabinete do presidente Volodymyr Zelensky.

Trata-se de uma nova indicação de que o governo ucraniano está disposto a discutir algumas das exigências apresentadas por Vladimir Putin. Em entrevista à agência Bloomberg, Zhovka disse que a Ucrânia está aberta à possibilidade de debater sua neutralidade – ou seja, a renúncia a qualquer ideia de aderir à União Europeia ou à aliança militar do Ocidente, a Otan.

Zhovka afirmou, porém, que o governo de Zelensky não entregará “um único centímetro” de território à Rússia. O Kremlin exige da Ucrânia o fim de ações militares; que mude sua Constituição a fim de garantir que não se juntará à UE e à Otan; que reconheça a Crimeia como território russo; e que reconheça Donetsk e Lugansk, no Donbass, como Estados independentes.

O assessor de Zelensky também pediu garantias de segurança “dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da Alemanha”. Segundo ele, que não especificou a quais medidas se referia, “apenas garantias de segurança da Rússia não serão suficientes.

Ihor Zhovka sinalizou, por fim, que as condições da Ucrânia para avançar nas tratativas com Putin incluem um cessar-fogo e a retirada das tropas russas.

Nesta quarta, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que Moscou não tem o objetivo de derrubar o governo de Zelensky.

Ela também disse que a operação na Ucrânia corre conforme o planejado e que a Rússia não ameaça a Otan, apenas reage aos “movimentos de confronto” da aliança militar.

(Com informações da AFP)

CartaCapital
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