Mundo
EUA dizem que suposto domínio sobre América Latina ‘nunca mais será questionado’
O vídeo, publicado pelo Departamento de Estado, cita a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro
O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou nesta terça-feira 11 um vídeo em defesa da Doutrina Monroe, princípio da política externa americana que estabeleceu a oposição à interferência de potências europeias nas Américas e, posteriormente, serviu de base para a expansão da influência de Washington na região.
“O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, diz a legenda da publicação feita pelo órgão no X.
A gravação, de cerca de cinco minutos, apresenta um histórico da doutrina desde 1823, quando o então presidente James Monroe declarou que qualquer tentativa de recolonização das Américas por países europeus seria considerada uma ameaça aos Estados Unidos.
No vídeo, o Departamento de Estado cita a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, como o exemplo mais recente da aplicação do princípio. Maduro foi levado aos EUA após uma incursão militar no País. Ele responde a acusações de narcoterrorismo e está preso em Nova York.
Segundo a gravação, a doutrina, inicialmente formulada como um alerta à Europa, tornou-se uma política de predominância americana no Hemisfério Ocidental e permanece uma “pedra angular” da estratégia de Washington.
A peça também menciona episódios como o apoio dos EUA à independência do Panamá, em 1903, que resultou no acordo para a construção e operação do Canal do Panamá, e a crise dos mísseis de Cuba, em 1962.
O relato, porém, omite ou minimiza episódios da atuação americana que contribuíram para conflitos e regimes autoritários na América Latina. O vídeo não menciona, por exemplo, o apoio de Washington a ditaduras no Brasil, Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai durante o século 20.
Ao tratar da intervenção francesa no México no século 19, o vídeo atribui aos Estados Unidos papel central na expulsão das tropas francesas. A resistência, entretanto, foi liderada pelo presidente mexicano Benito Juárez. Os americanos passaram a apoiar financeiramente os republicanos mexicanos em 1865 e pressionaram a França em 1867, quando Juárez já havia retomado grande parte do território.
A defesa da Doutrina Monroe ocorre meses depois de o governo Donald Trump indicar uma mudança na política externa americana para a América Latina. Em dezembro do ano passado, a Casa Branca divulgou sua nova Estratégia de Segurança Nacional e afirmou que pretendia “reafirmar e aplicar” a Doutrina Monroe para recuperar a predominância dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental.
O documento prevê maior presença militar e da Guarda Costeira na região, reforço do combate ao tráfico de drogas e de pessoas, proteção das fronteiras e ampliação do acesso americano a pontos estratégicos. A estratégia também aponta o avanço da China na América Latina como uma das preocupações de Washington.
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