Mundo

EUA caminha para novo fechamento do governo em meio a críticas por mortes de manifestantes

Washington se prepara para outro fechamento de serviços à meia-noite de sexta-feira

EUA caminha para novo fechamento do governo em meio a críticas por mortes de manifestantes
EUA caminha para novo fechamento do governo em meio a críticas por mortes de manifestantes
O presidente dos EUA. Donald Trump. Foto: Mandel Ngan/AFP
Apoie Siga-nos no

Um fechamento parcial do governo dos Estados Unidos parece iminente, depois que um projeto orçamentário fracassou no Senado em meio à indignação democrata pelas mortes de manifestantes contrários às operações anti-imigrantes ordenadas por Donald Trump.

A oposição expressou assim sua indignação pelo assassinato, em Minneapolis, de duas pessoas que se manifestavam contra a política migratória do presidente.

O fracasso na aprovação de um pacote de gastos composto por seis projetos de lei destinados a financiar mais de três quartos do governo federal torna quase impossível evitar um fechamento parcial a partir de sábado.

Mesmo assim, os democratas e a Casa Branca continuavam buscando freneticamente um acordo de última hora.

Seria o segundo fechamento ou “shutdown” — quando o financiamento de todo ou de diferentes setores do governo americano é temporariamente congelado — desde que Trump assumiu novamente a presidência há um ano.

Os democratas haviam prometido bloquear a medida, a menos que o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) fosse separado e renegociado para incluir salvaguardas sobre o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), a agência de segurança pública mais bem financiada dos Estados Unidos.

O ICE, responsável pelas operações anti-imigrantes com fins de deportação, está no centro das críticas pelas mortes de manifestantes em Minneapolis.

Falta de acordo

A situação deixou os 53 republicanos da câmara sem votos suficientes: eram necessárias 60 votos para que a legislação avançasse rumo à aprovação final.

Agora, Washington se prepara para outro fechamento disruptivo de serviços à meia-noite de sexta-feira 30.

“O que o ICE está fazendo (…) é brutalidade avalizada pelo Estado e precisa ser interrompida. E o Congresso tem a autoridade — e a obrigação moral — de agir”, disse o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, antes da votação.

Uma modesta rebelião republicana se juntou aos democratas.

Devido às normas vigentes no Senado, são necessários 60 votos entre 100 para aprovar um texto orçamentário, e os republicanos, embora tenham a maioria, precisariam do apoio de vários membros da oposição para conseguir aprovar sua proposta de orçamento.

Os números não são suficientes.

Os democratas explicaram que estão dispostos a aprovar cinco dos seis itens do texto, mas querem separar o último — que diz respeito ao DHS — para debater as reformas que desejam que sejam implementadas.

Como a Câmara dos Representantes havia aprovado os seis itens em um único bloco, separar o DHS do texto implicaria, na prática, uma paralisação da meia-noite de sexta para sábado, já que a câmara baixa teria de votar novamente a versão aprovada pelo Senado.

O shutdown pode ser de curta duração. Em uma reunião de gabinete na quinta-feira, Trump disse à imprensa que esperava que se encontrasse um compromisso com os democratas para evitar uma paralisação.

Se o financiamento expirar, centenas de milhares de servidores públicos poderão ser enviados para casa ou obrigados a trabalhar sem remuneração.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo