Estados Unidos retornam oficialmente ao Acordo de Paris

Donald Trump havia retirado o país do pacto; Joe Biden prometeu que meio ambiente será prioridade

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Foto: Mandel Ngan/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Foto: Mandel Ngan/AFP

Mundo

Os Estados Unidos retornaram oficialmente ao Acordo de Paris sobre o Clima, nesta sexta-feira 19, e o governo do presidente Joe Biden prometeu tornar a batalha ambiental prioridade máxima de seu governo.

 

 

Exatamente um mês depois de tomar posse, a maior economia mundial e segunda maior emissora de carbono voltou formalmente ao acordo de 2015 que tem como objetivo combater o aquecimento global.

O reingresso de Washington significa que o Acordo de Paris volta a incluir, virtualmente, todas as nações do mundo, depois que Donald Trump, antecessor de Biden e aliado da indústria dos combustíveis fósseis, retirou os Estados Unidos do pacto, argumentado que era injusto com a superpotência.

Em um discurso na Conferência de Segurança de Munique, Biden pediu aos países europeus que redobrem seus compromissos no combate às mudanças climáticas.

“Não podemos mais atrasar ou fazer o mínimo para lidar com as mudanças climáticas”, disse ele. “Esta é uma crise existencial global. Todos sofreremos as consequências.”

“A mudança climática e a diplomacia científica nunca poderão voltar a ser ‘agregados’ em nossas discussões de política externa”, disse o secretário de Estado americano, Antony Blinken, em um comunicado saudando o retorno dos Estados Unidos ao acordo.

“Abordar as ameaças reais da mudança climática e ouvir nossos cientistas está no centro das nossas prioridades de política interna e externa. É vital em nossas discussões sobre segurança nacional, esforços de saúde internacional para a migração e em nossas negociações comerciais e diplomacia econômica”, frisou.

Após elogiar o Acordo de Paris, negociado pelo ex-presidente Barack Obama, Blinken disse que a diplomacia climática será crucial.

Biden planeja uma cúpula do clima para 22 de abril, coincidindo com o Dia da Terra. John Kerry, ex-secretário de Estado e agora enviado dos EUA para o clima, pediu ao mundo que aumentasse suas ambições nas conversas sobre o tema na ONU, ocorridas em Glasgow, em novembro passado.

O novo presidente dos EUA se comprometeu a tornar o setor energético dos EUA livre de poluição até 2035 e que o país passe a ser uma economia de emissões zero até 2050.

Trump, um aliado da indústria de combustíveis fósseis, argumentou que o Acordo de Paris era injusto para os Estados Unidos.

No entanto, os objetivos do Acordo de Paris não são essencialmente vinculantes, e cada país redige suas próprias medidas. Obama e Kerry sempre insistiram neste ponto, conscientes da oposição política em casa.

O Acordo de Paris visa limitar o aumento da temperatura global para 2º Celsius acima dos níveis pré-industriais e continuar os esforços para baixá-la para 1,5ºC.

O crescente impulso político em torno da questão começa a mostrar que as mudanças climáticas ainda causam um impacto significativo.

Um estudo recente revelou que 480 mil pessoas morreram em desastres naturais relacionados a condições meteorológicas extremas.

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