Equador elege presidente em disputa acirrada entre esquerda e direita

Voto indígena será decisivo para definir as eleições no país

Foto: Fernando Machado/AFP

Foto: Fernando Machado/AFP

Mundo

Os equatorianos começaram às 7h (9h no horário de Brasília) deste domingo, 11, a votar na eleição presidencial, na qual vão eleger entre o esquerdista Andrés Arauz e o direitista Guillermo Lasso o sucessor do impopular Lenín Moreno.

“Declaro oficialmente inaugurado este dia de votação”, disse a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Diana Atamaint, em um ato realizado na sede da organização em Quito, que contou com a participação de autoridades do Estado, diplomatas e observadores de várias organizações internacionais.

O dia de votação, no qual cerca de 13,1 milhões dos 17,4 milhões de habitantes estão convocados para votar, se estenderá até as 17h (19h no horário de Brasília).

Arauz, um economista de 36 anos e pupilo do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), ganhou o primeiro turno em 7 de fevereiro com 32,72% de apoio contra 19,74% de Lasso, um ex-banqueiro de 65 anos.


“Esta divisão social, que a campanha eleitoral acentuou, mostrou que o voto de rejeição ao ex-presidente Correa acaba efetivamente favorecendo Lasso”, afirma Pablo Romero, analista da Universidade Salesiana.

Nesse primeiro turno presidencial, no qual participaram um recorde de 16 candidatos, o esquerdista e ambientalista Yaku Pérez ficou em terceiro lugar com 19,39%, tornando-se o indígena equatoriano mais votado.

Na cerimônia de abertura da votação, a vice-presidente equatoriana, María Alejandra Muñoz, disse que o país está “pronto para fazer uma transição ordenada” do governo para quem for eleito presidente para quatro anos.

Nenhum dos dois finalistas contará com maioria legislativa e terá que negociar com Pachakutik, o partido indígena que conseguiu a segunda votação para a Assembleia depois da União pela Esperança (Unes), o movimento de Arauz. O  Criando Oportunidades (Creo), a força de Lasso, terá uma representação mínima.

“Há uma crise econômica, sanitária e política neste momento (…). Qualquer um que ganhar tem um panorama completamente dividido, bastante difuso”, aponta Wendy Reyes, consultora política e professora da Universidade de Washington.

Outros analistas também alertam sobre o impacto que o voto nulo poderia ter.

“Se houver uma porcentagem muito alta, isso legitimaria protestos no futuro e afetaria o governo do próximo presidente”, segundo Oswaldo Moreno, do Consultores Políticos Independentes.

Os eleitores vão às urnas com máscaras em meio à pandemia de Covid-19, que deixa quase 345 mil casos e 17 mil mortes no país.

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.

Compartilhar postagem