Mundo
Emissora alemã altera reportagem após notificação de Musk
Após trilionário ameaçar com processo, canal alemão corta trecho em que apresentadora dava a entender que Musk havia incitado uma ‘caça a imigrantes’ nos recentes tumultos na Irlanda do Norte
A emissora pública alemã ZDF alterou uma reportagem de telejornal após uma notificação judicial do trilionário Elon Musk, que havia ameaçado processar a rede.
A empresa acabou suprimindo um trecho em que uma apresentadora dava a entender que Musk teria incitado uma “caça a imigrantes” durante os tumultos ocorridos na semana passada em Belfast.
O advogado de Musk, Joachim Steinhöfel, confirmou nesta terça-feira 16 ter enviado uma notificação à emissora alemã. “A ZDF já declarou à imprensa que aceitará (a exigência) e assinará uma declaração de abstenção”, afirmou o advogado, referindo-se ao compromisso da emissora de não repetir esse tipo de afirmação.
A versão disponível no site da ZDF já foi alterada, com a indicação de que a locução “foi abreviada por motivos legais”.
“Mentiras escandalosas”
Anteriormente, Musk havia anunciado que tomaria medidas legais contra a emissora por divulgar o que chamou de “mentiras escandalosas”.
A origem da disputa está em uma reportagem de TV intitulada Distúrbios em Belfast – Como Musk alimenta os protestos, que foi ao ar na sexta-feira passada. Nela, a apresentadora dizia, ao falar dos acontecimentos em Belfast: “Uma turba racista passou então a caçar imigrantes. Isso fora instigado por um extremista de direita britânico e pelo bilionário da tecnologia Elon Musk”.
A reportagem, que tratava dos protestos e distúrbios na capital da Irlanda do Norte após um ataque com faca cometido por um homem originário do Sudão, havia dado a impressão, por meio da introdução, de que o próprio Musk teria feito um chamado a uma “caça a migrantes”.
Após o ataque de 8 de junho, no qual a vítima ficou gravemente ferida e, segundo a polícia britânica, perdeu um olho, ocorreram graves distúrbios em Belfast. Durante esses episódios, migrantes teriam sido perseguidos deliberadamente e apartamentos foram incendiados.
Redes sociais
Segundo a polícia, os protestos foram organizados principalmente por meio de redes sociais, o que acabou intensificando ainda mais a tensão.
No centro do caso está o ativista britânico de extrema-direita Tommy Robinson, que mobilizou apoiadores na plataforma X, de Musk, contra “mais um ataque de invasores ao nosso povo”. A mensagem vinha acompanhada de uma lista detalhada com datas de manifestações, que deveriam ocorrer de forma “pacífica e respeitosa”. Musk compartilhou a publicação e escreveu: “Somente protestando repetidamente e em voz alta é que algo mudará”.
O trilionário da tecnologia também já havia se envolvido anteriormente no debate político na Alemanha, ao manifestar apoio eleitoral ao partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), participando de comício da legenda e de uma live na sua plataforma X com a copresidente do partido, Alice Weidel.
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