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Em reunião da ONU, Colômbia compara operação dos EUA na Venezuela aos ‘piores momentos de interferência’
“Essas ações lembram os piores momentos de interferência na política da América Latina e do Caribe e constituem uma clara ameaça à preservação da região como uma zona de paz”, declarou a representante colombiana Leonor Zalabata Torres.
A Colômbia comparou, nesta segunda-feira 5 perante o Conselho de Segurança da ONU, a operação militar dos Estados Unidos para depor o líder venezuelano Nicolás Maduro, que foi retirado do país e levado para Nova York junto com sua esposa, aos “piores momentos de interferência” na região.
“Essas ações lembram os piores momentos de interferência na política da América Latina e do Caribe e constituem uma clara ameaça à preservação da região como uma zona de paz”, declarou a representante colombiana Leonor Zalabata Torres.
A Colômbia ingressou no Conselho de Segurança em 1º de janeiro e solicitou uma reunião urgente do órgão máximo da ONU a pedido da Venezuela.
Forças especiais dos Estados Unidos atacaram Caracas e seus arredores na madrugada de sábado e levaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores, a um tribunal de Nova York sob acusações de narcotráfico e terrorismo.
“É importante também compreender as implicações desta situação para a paz e a segurança internacionais, para além da nossa região, especialmente quando um membro permanente do Conselho de Segurança decide usar a força e assumir unilateralmente o controle de outro Estado soberano, com o objetivo, entre outras coisas, de se apropriar de recursos naturais ou estratégicos”, acrescentou Zalabata Torres.
Anteriormente, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu “respeito aos princípios da soberania, da independência política e da integridade territorial dos Estados”, de acordo com declarações lidas em seu nome pela subsecretária-geral Rosemary DiCarlo.
A ousada operação militar dos Estados Unidos provocou condenações de alguns governos da região, como Brasil, Colômbia e México, e o apoio de aliados de Washington, como Argentina e El Salvador.
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