Eleições legislativas na França: coalizão de esquerda pode tirar maioria do governo Macron

De acordo com estimativas, a aliança de esquerda Nupes pode conseguir eleger entre 150 e 190 deputados, contra 255 e 295 do Juntos, os aliados de Macron

O presidente da França, Emmanuel Macron. Foto: Ludovic MARIN/AFP

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A imprensa francesa desta segunda-feira (13) destaca o resultado do primeiro turno das eleições legislativas francesas, que aconteceu no domingo. O bom desempenho da coalizão de esquerda dificulta os objetivos do presidente Emmanuel Macron de conseguir a maioria absoluta na Assembleia Nacional no segundo turno.

A Nova união popular ecológica e social, a Nupes, uma grande aliança de partidos de esquerda, encabeçada pelo candidato às eleições presidenciais Jean-Luc Mélenchon, conseguiu 27,5% dos votos, ficando empatada com o Juntos!, uma coalizão de partidos favoráveis ao presidente.

“A Nupes marca pontos no primeiro turno, mas deve enfrentar agora uma frente contra Mélenchon”, diz a manchete de Le Monde. Para conseguir a maioria no Congresso e barrar o avanço da esquerda, a estratégia dos partidários do presidente é a mesma usada contra a extrema-direita, ou seja, de chamar os eleitores para fazer uma barreira contra “os extremos”.

“E agora, a batalha sem piedade pelo segundo turno”, diz a manchete de Le Parisien. De acordo com os resultados do primeiro turno, a Nupes e Mélenchon não devem conseguir impor uma coabitação com Emmanuel Macron, mas o presidente ainda corre o risco de não conseguir uma maioria absoluta na Assembleia, ou seja, pelo menos 289 cadeiras, analisa o jornal. De acordo com estimativas, a Nupes pode conseguir eleger entre 150 e 190 deputados, contra 255 e 295 do Juntos.

Aviso para Macron

Para o jornal conservador Le Figaro, o pleito foi um “aviso” a Emmanuel Macron. Pela primeira vez na história recente do país, o partido de um presidente recém reeleito não chegaria claramente em primeiro em números absolutos de votos no primeiro turno de eleições legislativas.

Já o Libération fala do retorno da esquerda unida. De acordo com o jornal, a união permitiu à Nupes de estar presente no segundo turno em mais de 500 distritos. Mas com a abstenção e o jogo de alianças, o segundo turno pode ser mais complicado.


 

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