Mundo
E la nave non va più
O Costa Concordia é hoje o que foi o Titanic para a belle époque
Todos já conhecem o caso. Não é preciso entrar em minúcias sobre como a negligência do capitão Francesco Schettino levou o Costa Concordia a se chocar com uma rocha exposta nas cartas náuticas enquanto se distraía com uma convidada. Nem em como sua covardia o expôs ao ridículo do mundo e fez da furiosa repreensão “Vada a bordo, cazzo!”, do comandante Gregorio de Falco, sucesso instantâneo da internet e de lojas de camisetas.
O caso calou fundo na opinião pública italiana, por todas as analogias com Silvio Berlusconi. O ex-primeiro-ministro passou grande parte dos últimos dez anos a evadir responsabilidades enquanto pilotava a nau do Estado, justificou seus desatinos com alegações tão estapafúrdias quanto a de Schettino e só pôde ser forçado a largar o timão depois de conduzir o país a uma catástrofe.
Mas em ambos os casos é preciso ter o cuidado de não se fixar na infâmia de um só. O capitão foi grotesco ao alegar que não ficou para ajudar os passageiros (entre os quais 300 idosos, crianças e deficientes) porque escorregou e caiu no bote salva-vidas, mas no mesmo escaler em que recebeu a bronca da Capitania dos Portos de Livorno estavam o vice-comandante Dimitri Christidis e a terceira na linha de comando, Silvia Coronica, o que nos deixa a imaginar a fascinante coreografia do escorregão em grupo.
Exceto um médico, nenhum oficial ajudou na evacuação. Meia hora após a colisão, um deles insistia à Guarda Costeira, por rádio, de que havia apenas um problema elétrico e marinheiros mandavam para as cabines os passageiros que já pediam socorro por celular ou aos gritos. A ordem de abandonar o navio jamais foi dada. Depois de disputar coletes salva-vidas, os passageiros tiveram de brigar pelas vagas nos escaleres e tomar a iniciativa de baixá-los, ante uma tripulação que não sabia o que fazer.
A Costa Cruzeiros e seus concorrentes precisam arcar com sua parcela de responsabilidade no crescimento desordenado do negócio de cruzeiros marítimos e na caça do lucro rápido sem considerações por segurança, treinamento e seleção de pessoal. E a cultura do individualismo neoliberal pela sua, a saber, pela mentalidade que forma, incentiva e põe em posições de poder tais combinações de inépcia arrogante com covardia moral e física.
Todos já conhecem o caso. Não é preciso entrar em minúcias sobre como a negligência do capitão Francesco Schettino levou o Costa Concordia a se chocar com uma rocha exposta nas cartas náuticas enquanto se distraía com uma convidada. Nem em como sua covardia o expôs ao ridículo do mundo e fez da furiosa repreensão “Vada a bordo, cazzo!”, do comandante Gregorio de Falco, sucesso instantâneo da internet e de lojas de camisetas.
O caso calou fundo na opinião pública italiana, por todas as analogias com Silvio Berlusconi. O ex-primeiro-ministro passou grande parte dos últimos dez anos a evadir responsabilidades enquanto pilotava a nau do Estado, justificou seus desatinos com alegações tão estapafúrdias quanto a de Schettino e só pôde ser forçado a largar o timão depois de conduzir o país a uma catástrofe.
Mas em ambos os casos é preciso ter o cuidado de não se fixar na infâmia de um só. O capitão foi grotesco ao alegar que não ficou para ajudar os passageiros (entre os quais 300 idosos, crianças e deficientes) porque escorregou e caiu no bote salva-vidas, mas no mesmo escaler em que recebeu a bronca da Capitania dos Portos de Livorno estavam o vice-comandante Dimitri Christidis e a terceira na linha de comando, Silvia Coronica, o que nos deixa a imaginar a fascinante coreografia do escorregão em grupo.
Exceto um médico, nenhum oficial ajudou na evacuação. Meia hora após a colisão, um deles insistia à Guarda Costeira, por rádio, de que havia apenas um problema elétrico e marinheiros mandavam para as cabines os passageiros que já pediam socorro por celular ou aos gritos. A ordem de abandonar o navio jamais foi dada. Depois de disputar coletes salva-vidas, os passageiros tiveram de brigar pelas vagas nos escaleres e tomar a iniciativa de baixá-los, ante uma tripulação que não sabia o que fazer.
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