Mundo
Dois passageiros de navio afetado por hantavírus testam positivo
A operação de resgate dos ocupantes da embarcação deve terminar nesta segunda-feira
Dois passageiros retirados do cruzeiro Hondius testaram positivo para hantavírus, anunciaram as autoridades nesta segunda-feira 11, dia que deve marcar o fim da operação de retirada e o reabastecimento do navio na ilha espanhola de Tenerife, antes de seguir a viagem em direção aos Países Baixos.
Dois dos 94 ocupantes do navio que desembarcaram no domingo e foram repatriados a seus países, um americano e uma francesa, testaram positivo para hantavírus, um vírus pouco frequente que normalmente se propaga entre roedores e para o qual não existe vacina.
Um passageiro americano “testou levemente positivo no exame PCR”, anunciou o Departamento de Saúde dos Estados Unidos.
Dos cinco franceses repatriados e colocados em isolamento em Paris, uma mulher apresentou um agravamento do seu estado de saúde e os “testes apresentaram resultado positivo”, anunciou a ministra da Saúde, Stéphanie Rist.
Após o anúncio dos casos positivos, o Ministério da Saúde da Espanha afirmou que adotou “todas as medidas” necessárias para “cortar as possíveis cadeias de transmissão” do hantavírus.
Três passageiros a bordo do Hondius – um casal holandês e uma mulher alemã – morreram devido ao hantavírus.
Reabastecimento e últimas saídas
No domingo, 94 dos cerca de 150 passageiros e tripulantes do Hondius foram repatriados a partir do porto de Granadilla em Tenerife, nas Ilhas Canárias.
Nesta segunda-feira está previsto o reabastecimento do navio e a repatriação dos últimos ocupantes em dois voos, um para a Austrália e outro para os Países Baixos.
“Ao longo da manhã (…) o reabastecimento poderá começar, o que vai durar entre quatro e cinco horas. Em seguida, será carregado com suprimentos”, explicou à televisão pública TVE Virginia Barcones, secretária-geral de Proteção Civil.
O objetivo é que “quando realizarmos os dois últimos desembarques (…) possamos já autorizar a saída deste navio com destino aos Países Baixos” por volta das 19h (15h de Brasília), acrescentou Barcones.
“Tomara que possamos terminar até mesmo antes do horário previsto”, afirmou o ministro de Política Territorial, Ángel Víctor Torres, à rádio RNE, que elogiou o dispositivo de repatriação da Espanha.
As repatriações acontecem de avião a partir do aeroporto de Tenerife Sul e por nacionalidades, 23 ao todo, com rigorosas medidas de segurança para reduzir ao mínimo o contato dos ocupantes do Hondius com outras pessoas.
No domingo, partiram voos para Madri – para transportar os espanhóis que iniciaram a quarentena em um hospital militar –, França, Países Baixos – que levou um passageiro argentino e um tripulante guatemalteco, os dois latino-americanos do navio –, Canadá, Irlanda, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.
As 19h locais (15h de Brasília) é o horário limite estabelecido para que o Hondius deixe o porto de Granadilla de Abona com destino aos Países Baixos, levando cerca de 30 tripulantes.
O argentino repatriado Carlo Ferello minimizou a gravidade da situação vivida a bordo. O ambiente não era “preocupante, na verdade”, afirmou ao canal TN, ao destacar que, após os primeiros contágios, “não apareceram mais casos”.
“Eu estava sozinho (…), não tinha muito contato. A vida seguiu de maneira bastante normal”, acrescentou esse engenheiro aposentado, que cumprirá quarentena nos Países Baixos.
Risco ‘baixo’
O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, presente em Tenerife, destacou a cooperação entre os países e reiterou que “o risco atual para a saúde pública continua sendo baixo”.
Segundo as autoridades sanitárias, os passageiros permanecem majoritariamente assintomáticos, embora tenham sido classificados como “contatos de alto risco” e devam cumprir quarentena ao chegarem ao destino.
Com exceção dos americanos, que não serão necessariamente colocados em quarentena, uma decisão que envolve riscos, avaliou o diretor-geral da OMS.
“Isso não é covid”, justificou Jay Bhattacharya, diretor interino dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, pedindo à população que mantenha a calma.
O Hondius, que havia partido em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, permanece ancorado sem atracar, a pedido das autoridades regionais das Ilhas Canárias, que manifestaram rejeição à operação por motivos de segurança sanitária.
No entanto, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, defendeu a operação, destacando que a Espanha “responderá com exemplaridade e eficácia” em uma crise que volta a colocar o país sob atenção internacional.
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