“Temos muita esperança e pouca determinação”, diz advogado de Assange

Para o advogado do jornalista, prisão é uma decisão escandalosa que “viola todas as regras de direitos internacionais”

“Temos muita esperança e pouca determinação”, diz advogado de Assange

Mundo,Sociedade

Para Juan Branco, advogado de Julian Assange, o Equador é um Estado “completamente soberano que se submeteu aos Estados Unidos”. “É uma aberração não apenas com relação às relações internacionais, mas também aos valores da ética mais básica, que deveria proteger pessoas que falam a verdade, e que por essa razão são perseguidas por poderes importantes”, afirmou em entrevista à RFI.

Especialistas em informática afirmam, no entanto, que a prisão de Assange faz parte de um plano desenvolvido pelos Estados Unidos para puni-lo por haver divulgado no Wikileaks, em 2010, milhares de documentos secretos norte-americanos. “Evidentemente este é o objetivo desta operação e é meu papel, como advogado de Julian, evitar que essa situação intervenha no processo. Vamos lutar ferozmente para evitar uma série de eventos que levariam Assange a ser pressionado em condições próximas da tortura nos Estados Unidos por ter revelado a verdade”, afirma Branco.

O advogado lembrou à RFI as condições extremas da reclusão de Assange na embaixada do Equador, em Londres, nos últimos 7 anos. “Temos muita esperança e pouca determinação”, disse o advogado. Embora o presidente equatoriano Lenín Moreno tenha assegurado nesta quinta-feira 11 que o país decidiu soberanamente retirar o asilo diplomático a Assange, por haver “violado reiteradamente convenções internacionais”, o advogado do ativista afirmou que era “uma vergonha que um Estado tão nobre e forte como o Equador, que demonstrou grande coragem todos esses anos, resistindo às pressões de uma potência como os Estados Unidos”, tenha cedido. “Quero reiterar minha admiração ao povo equatoriano de ter autorizado este apoio incrível e os sacrifícios que foram feitos nesse sentido”.

Críticas ao Equador

Branco criticou ainda a decisão do atual presidente do Equador, Lenín Moreno, de retirar o asilo diplomático de Assange. “Esta pessoa que hoje preside o país e o destino de seu povo não deveria mentir de maneira tão desavergonhada, jogando com o destino de um indivíduo. Não existe nenhum elemento factual que apoie a sua declaração e me parece inútil de continuar a polêmica”, afirmou.

O advogado da sueca que acusa Assange de estupro declarou que solicitará às autoridades a reabertura do processo. “É evidente que a partir do momento em que ele é exposto novamente, ressurgem as pessoas que foram utilizadas para instrumentalizar o caso. Não existe risco algum de que este procedimento seja levado a cabo. Temos grande confiança em nossos argumentos sobre este tema. Temos demonstrado que não houve nenhum ataque de Assange. Nos confrontaremos com essa nova ação com muita serenidade”, declarou Branco.

O advogado, no entanto, diz estar “menos sereno”, junto a seu cliente, com o que “se passará nos Estados Unidos, que é evidentemente o destino final de todos esses procedimentos”. “Sabemos o que fizemos, e temos muita satisfação em termos feito o que fizemos em relação à revelação dos crimes cometidos pelas Forças Armadas norte-americanas”, disse. “E é por isso mesmo que querem nos atacar.”

O presidente equatoriano chegou a dizer que Assange não seria enviado a um país onde enfrente torturas ou pena de morte. “Moreno agora tem as ‘mãos limpas’, já não pode atuar sobre o caso de maneira alguma. Suas palavras não contam. Poderá agora argumentar, se Assange for extraditado, que será condenado apenas à prisão perpétua, que as condições de prisão de Assange não podem ser equiparadas à tortura. Que se trata de uma grande democracia”, avalia Branco.

O advogado disse que luta para que o ativista seja libertado “imediatamente, pelas falsas acusações de violações do seu asilo, que serviram de desculpa a todo o resto nesta quinta-feira”.

 

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