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Delegação do Irã deixa o local de negociações após ameaça de Trump

O presidente dos EUA havia ameaçado a república islâmica com novos ataques

Delegação do Irã deixa o local de negociações após ameaça de Trump
Delegação do Irã deixa o local de negociações após ameaça de Trump
Bandeira dos EUA no hotel Bürgenstock, na Suíça, em 21 de junho de 2026, durante negociações entre norte-americanos e iranianos. Foto: Nathan Howard/Pool/AFP
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A delegação do Irã abandonou neste domingo 21 o local onde negociava com os Estados Unidos o fim da guerra no Oriente Médio, informou a agência estatal iraniana Irna, após o presidente Donald Trump ameaçar a república islâmica com novos ataques.

Segundo a agência, as conversas, mediadas por Paquistão e Catar, “entraram em uma fase difícil após 80 minutos de discussões e uma interrupção, devido a uma mensagem ofensiva publicada pelo presidente dos Estados Unidos”.

Uma fonte com conhecimento das conversas afirmou à AFP que “a delegação iraniana permanece comprometida com as negociações e não comunicou aos mediadores nenhuma intenção de se retirar delas”.

Em sua plataforma, Truth Social, Trump pediu que Teerã impeça que seus aliados no Líbano “causem problemas”, e ameaçou retomar os ataques contra o Irã caso isso não aconteça.

O Irã aconselhou os Estados Unidos a “medir suas palavras”, uma amostra da tensão em torno do começo das negociações que buscam concluir na Suíça um memorando de entendimento para encerrar a guerra no Oriente Médio.

A primeira cláusula do protocolo de acordo assinado na semana passada pelos presidentes de Estados Unidos e Irã estabelece que os dois países se comprometem “a se abster de ameaças ou do uso da força entre si”.

A troca de advertências ocorreu logo após o início das negociações entre representantes norte-americanos e iranianos em um hotel nos Alpes suíços. A delegação dos Estados Unidos é liderada pelo vice-presidente do país, JD Vance, e a iraniana, pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf.

Os participantes esperam que as discussões levem, em um prazo prorrogável de 60 dias, a um acordo final que encerre a guerra no Oriente Médio, uma hostilidade que já deixou milhares de mortos e afetou a economia mundial.

O vice-presidente norte-americano descreveu o encontro como histórico e expressou esperança de “virar a página e transformar” a relação de seu país com o povo iraniano.

Líbano

As negociações começaram em meio a confrontos no Líbano entre Israel e o movimento islamita pró-Irã Hezbollah, apesar de o memorando de entendimento prever o fim das hostilidades em todas as frentes. Em retaliação, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz.

Trinta pessoas morreram ontem no leste e no sul do território libanês. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, advertiu que não será possível selar nenhum acordo com Washington se as hostilidades não cessarem no Líbano.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou neste domingo que seu exército permanecerá no sul do Líbano pelo “tempo que for necessário”, enquanto o chefe do Hezbollah, Naim Qasem, rejeitou a criação de uma zona de segurança israelense no sul libanês.

Mais otimista, o vice-presidente norte-americano disse hoje que havia observado “progressos consideráveis” nos últimos dias “para garantir que o cessar-fogo seja mantido no Líbano”.

Segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde libanês, as operações israelenses mataram 4.106 pessoas desde 2 de março. No mesmo período, o Exército israelense reportou a morte de 36 militares.

Em um sinal de distensão, Israel anunciou na noite deste domingo que vai levantar a partir de amanhã as restrições a aglomerações impostas no norte do país, perto da fronteira com o Líbano.

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