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De saída, Biden decide retirar Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo

A tendência, porém, é que Havana volte à relação sob o novo mandato de Donald Trump

De saída, Biden decide retirar Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo
De saída, Biden decide retirar Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo
Uma van de entregas de uma empresa de remessa de alimentos com sede nos EUA circula em uma rua de Havana, em 22 de maio de 2024. Foto: Yamil Lage/AFP
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O governo de Joe Biden decidiu nesta terça-feira 14 retirar Cuba da lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo, em troca da libertação de supostos presos políticos detidos após protestos contra as autoridades de Havana em julho de 2021.

A determinação ocorre a seis dias da posse de Donald Trump para seu segundo mandato. O republicano inseriu Cuba na lista na última semana de sua primeira passagem pela Casa Branca, encerrada em 20 de janeiro de 2021. Havana havia sido excluída da relação em 2015, quando Barack Obama reatou as relações diplomáticas entre os países, rompidas em 1961.

Além do peso simbólico, o selo de “terrorista” leva empresas, bancos e nações a se negarem a liquidar negócios financeiros de Cuba. 

Segundo a Associated Press, Biden notificou o Congresso nesta terça sobre a decisão. A tendência, porém, é que a ordem seja revertida nos próximos dias, após Trump assumir a Casa Branca e Marco Rubio se tornar o próximo chefe da diplomacia americana, informou a agência.

À agência AFP, um alto funcionário do governo norte-americano confirmou a determinação de Biden nesta terça. “Concluiu-se uma avaliação e não temos informações que apoiem a designação de Cuba como patrocinador estatal do terrorismo”, declarou a fonte, que pediu anonimato. “É um gesto de boa vontade com o objetivo de facilitar a libertação das pessoas detidas injustamente.”

O funcionário não forneceu detalhes, mas disse que a libertação aconteceria em um prazo “relativamente curto”. Alguns presos serão liberados antes de o governo Biden terminar, acrescentou.

Não há, porém, impacto direto sobre o embargo econômico americano imposto a Cuba, alvo constante de repúdio na Assembleia-Geral da ONU. No fim de outubro de 2024, por exemplo, o órgão aprovou por ampla maioria mais uma resolução contra o bloqueio em vigor há mais de seis décadas. Na prática, o efeito é escasso.

A resolução recebeu 187 votos a favor, dois contrários — dos Estados Unidos e de seu aliado Israel — e uma abstenção (Moldávia). Foi a 34ª declaração não vinculante que as autoridades cubanas apresentaram desde 1992, em defesa da “necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”.

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