Mundo
David Attenborough, ícone da defesa do planeta, completa 100 anos
O cientista e apresentador de televisão é uma das pessoas mais populares do Reino Unido
David Attenborough, famoso apresentador britânico, conhecido por seu trabalho de divulgação sobre as mudanças climáticas e cujos documentários ajudaram a mudar a forma como a opinião pública compreende a natureza, completa 100 anos na sexta-feira 8.
Segundo várias pesquisas, Attenborough é a personalidade favorita dos britânicos, à frente de músicos como Paul McCartney e Elton John ou do ex-jogador de futebol David Beckham.
A admiração por este homem fez com que animais e espécies vegetais recebessem o seu nome, como uma minúscula aranha australiana (Prethopalpus attenboroughi) e uma planta carnívora gigante de Palawan, nas Filipinas (Nepenthes attenboroughii).
“Ele tornou a história natural um tema do grande público, algo que pode ser tão popular quanto o futebol”, explica Jean-Baptiste Gouyon, professor de Comunicação Científica na University College London (UCL).
A carreira de David Attenborough, ligada à BBC, começou no início dos anos 1950. Seu dom natural para contar histórias e sua voz agradável conquistaram rapidamente os espectadores.
Desde então, ele não parou de trabalhar e nunca perdeu o entusiasmo, como quando brincou com gorilas-da-montanha em Ruanda, em 1978.
Inspiração
Attenborough viajou por todo o planeta e registrou imagens, muitas vezes inéditas, de florestas, desertos e oceanos.
Segundo especialistas, 500 milhões de pessoas em todo o mundo assistiram a grande série sobre a natureza que ele produziu em 1979, Life on Earth (‘A vida na Terra’). Na ocasião, ele disse que esperava que o mundo fosse “duas vezes maior e que metade ainda estivesse por explorar”.
“Ele trouxe a natureza para as nossas salas, nos levou a lugares que nunca teríamos ido de outra forma. É um presente imenso”, afirmou Sandra Knapp, botânica e diretora de pesquisas no Museu de História Natural de Londres.
Sandra Knapp afirma que, como cientista, Attenborough é “uma verdadeira inspiração”. “Ele consegue tornar muito simples conceitos científicos bastante complexos”, explica.
Attenborough também despertou vocações. “Muitos biólogos estão onde estão porque assistiram aos programas dele quando eram crianças”, afirma Jean-Baptiste Gouyon.
Embora tenha um diploma em Ciências Naturais pela Universidade de Cambridge, ele sempre se apresentou como um homem da televisão e não como um cientista.
‘Colonialismo moderno’
Nomeado cavaleiro em 1985 pela rainha Elizabeth II, com quem mantinha uma relação de amizade, Attenborough tem alertado para os danos causados à natureza pela humanidade.
Em 2025, no documentário Ocean (‘Oceano’), ele condenou os métodos de pesca industrial dos países ricos, que chamou de “colonialismo moderno no mar”.
Muitos locais filmados por David Attenborough foram destruídos anos depois pelo ser humano.
Apesar da fama, o apresentador – cujo irmão era o falecido ator e diretor de cinema Richard Attenborough – sempre se recusou a ser considerado uma celebridade.
Jean-Baptiste Gouyon destaca que Attenborough sempre direciona o olhar do espectador para o tema abordado.
Attenborough já não percorre as florestas, nem o deserto, mas segue contando a história do nosso planeta.
Em Wild London, documentário exibido no início de 2026 na BBC, ele aborda a fauna extraordinária da capital britânica, a sua cidade natal.
Depois de todas as suas viagens, Attenborough afirma que o seu lugar favorito no planeta continua sendo Richmond, um subúrbio abastado e arborizado no sudoeste de Londres, onde ele morou a maior parte da sua vida, com a esposa Jane, mãe dos seus dois filhos, falecida em 1997.
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