Cuba aprova uso emergencial de vacinas Soberana 2 e Soberana Plus

Sob severo embargo dos Estados Unidos desde 1962, Cuba começou a desenvolver suas próprias vacinas na década de 1980

Cuba desenvolve vacinas próprias contra a Covid. Foto: Carlos Silva/El Ciudadano

Cuba desenvolve vacinas próprias contra a Covid. Foto: Carlos Silva/El Ciudadano

Mundo

Cuba autorizou, nesta sexta-feira 20, o uso emergencial de suas vacinas Soberana 2 e Soberana Plus, somando três imunizantes desenvolvidos por cientistas cubanos e os primeiros da América Latina, informou a autoridade reguladora de medicamentos do país (Cecmed).

 

 

Após um “rigoroso processo de avaliação das candidatas vacinais Soberana 02 e Soberana Plus, cujo titular é o Instituto Finlay de Vacinas, o CECMED decidiu conceder a elas a Autorização de Uso em Emergências (AUE)”, declarou o órgão em um comunicado.

O anúncio é feito em um momento em que Cuba vive uma forte incidência de casos de Covid-19 e um mês depois que a Abdala, outro imunizante cubano, se tornou a primeira vacina concebida e desenvolvida na ilha.

“Isso foi possível após um rigoroso processo de avaliação” nas últimas semanas, em que todos os resultados relacionados à eficácia da vacina foram “avaliados”, disse Olga Lidia Jacobo, diretora do Cecmed.

A funcionária explicou que foi também aprovada uma “formulação da Soberana 02 e Soberana Plus que não contém tiomersal”, destinada a pessoas alérgicas a esta substância.

 

Estudos pediátricos avançados

A Soberana, que, segundo as autoridades sanitárias cubanas, tem 91,2% de eficácia nos casos sintomáticos, faz parte de um esquema de vacinação que combina duas doses de Soberana 02 e uma terceira com Soberana Plus.

Sob severo embargo dos Estados Unidos desde 1962, Cuba começou a desenvolver suas próprias vacinas na década de 1980. Atualmente, 80% das vacinas incluídas em seu programa de imunização são fabricadas na ilha.

Por 15 meses, a comunidade científica trabalhou no desenvolvimento de cinco candidatas contra o novo coronavírus. Vicente Vérez, diretor do Finlay Vaccine Institute, que produz a linha Soberana, destacou que esse centro de pesquisas está perto de obter a vacina pediátrica.

“Estamos muito avançados nos estudos pediátricos, com resultados muito satisfatórios”, e espera-se que muito em breve seja solicitada à Cecmed sua autorização de emergência. Para ficar “muito mais tranquilo com a reabertura das escolas”, acrescentou Vérez.

Tanto o esquema da Soberana 2 e Plus, como o da Abdala, também de três doses, começaram a ser aplicados à população de Havana e outras províncias desde maio no âmbito de um estudo de intervenção sanitária.

Apesar de a vacinação ter começado desde então, as infecções dispararam em julho e algumas províncias do país começaram a registrar escassez de oxigênio e suprimentos.

 

Falta de seringas e oxigênio

Nos últimos meses, Cuba, enfrentando uma grave escassez de medicamentos e alimentos, recebeu grandes doações de seringas de países amigos e organizações não governamentais para o avanço da vacinação.

No domingo passado, o governo reconheceu as limitações para fornecer oxigênio a pacientes com covid devido a uma falha na fábrica que o produz.

Nas últimas 24 horas, foram registrados 78 óbitos e 9.764 infecções por coronavírus, somando 4.397 óbitos e 564.011 casos desde março de 2020, quando foram registradas as primeiras pessoas com coronavírus no país.

No final de 18 de agosto, Cuba, de 11,2 milhões de habitantes, havia administrado 12,3 milhões de doses das que, até agora, eram candidatas à vacina, a Soberana 2 e a Soberana Plus, além da Abdala.

Até o momento, pouco mais de três milhões de pessoas receberam as três doses, enquanto 4,3 milhões têm duas aplicações e 4,8 milhões têm uma.

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