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Contaminado por variante brasileira de Covid coloca em risco saída de lockdown no Reino Unido

Londres continua à caça de um das seis pessoas que tiveram resultado positivo para a mutação surgida em Manaus

Lockdown no Reino Unido. Foto: AFP
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Procura-se indivíduo contaminado com a variante brasileira da Covid no Reino Unido. Nome, sexo, paradeiro, endereço e nacionalidade: desconhecidos. Sabe-se apenas que teria feito um teste de Covid entre os dias 12 e 13 de fevereiro. Não se pode dizer com certeza sequer se esteve no Brasil antes disso. Suspeita-se, contudo, que estivesse a bordo do voo LX 318, que saiu de Zurique, na Suíça, e aterrissou em Londres no dia 10. A pedido do governo, a companhia aérea tenta contato com os passageiros. O caso coloca em risco o plano de saída do lockdown no país.

O Reino Unido continua à caça de um das seis pessoas que tiveram resultado positivo para a variante P1— o nome técnico da mutação surgida em Manaus. Aparentemente, o desconhecido fez um teste caseiro, preencheu de maneira incorreta ou incompleta o formulário com as informações pessoais e sumiu no mundo. O mais grave é que, a esta altura, não dá para saber se as autoridades britânicas chegarão a esta pessoa, ou a outras com as quais tenha tido contato desde o resultado do exame.

 

Assunto de primeira página de todos os jornais britânicos, o caso cria muita inquietação sobre o futuro próximo. Em lockdown desde o dia 4 de janeiro, a Inglaterra começa a reabrir as escolas na próxima semana. É a primeira fase do tão aguardado — e progressivo — plano do governo para o fim do confinamento. O risco de infecções por novas variantes pode atrasar o calendário da flexibilização, que está condicionado justamente à queda do número de casos e de mortes. Outro elemento nesta equação é que ainda não há estudos que confirmem que as vacinas são eficazes também contra a P1.

Tudo isso é motivo de preocupação num momento em que a maior e mais rápida campanha de vacinação da historia do país promete uma vida um pouco mais próxima do normal para os britânicos.

20 milhões de vacinados

Mais de 20 milhões de pessoas –quase um terço da população– já receberam a primeira dose da vacina. O objetivo é imunizar todos os adultos até o final de julho.

A boa notícia é que o governo acaba de divulgar estudo que mostra que o número de hospitalizações nas faixas etárias que já receberam a primeira dose caiu em 80%. Ou seja, se nada sair do roteiro, as pessoas terão de volta a sua liberdade, ainda que vigiada por um longo tempo.

Neste fim de semana, o país identificou os primeiros seis casos de contaminação com a variante brasileira da Covid — três na Inglaterra e três na Escócia — e fez contato com cinco dessas pessoas. Mas uma continua desconhecida, depois de passar desaparecida pelos filtros de controle.

O governo pede que todo mundo que tenha feito teste de Covid nestas datas, e ainda não tenha recebido o resultado, entre em contato imediatamente. Além disso, vai sair testando cidadãos de porta em porta, na mesma região onde foram encontrados os outros casos.

O ocorrido reforçou o discurso da necessidade de se investir em versões atualizadas das vacinas que mirem as mutações do vírus. Sabe-se que as novas variantes vão continuar existindo. No Reino Unido mesmo, surgiram duas mutações que também viajaram o mundo.

Fronteiras mais restritas

Já há quem defenda regras ainda mais rígidas nas fronteiras britânicas. Desde o dia 15 de fevereiro, residentes que tenham passado por 33 países considerados de alto risco, o Brasil entre eles, são obrigados a fazer uma quarentena forçada em hotéis designados pelo governo. Em teoria, de dez dias. Na prática, são 12.

A descoberta de contaminações pelas variantes brasileira e a sulafricana em território britânico só confirma que as cepas não se restringem aos locais onde foram originadas. Já foram encontradas também em vários países em procedência dos quais os viajantes que desembarcam no Reino Unido não são submetidos a controles tão rigorosos.

De todo modo, o governo do primeiro-ministro, Boris Johnson, deve anunciar nesta semana, junto com o orçamento para o ano, novos fundos para as pesquisas de imunizantes ainda mais poderosos. Até lá, a ordem continua sendo o uso de máscaras duplas, se possível, e o distanciamento social.

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