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Congresso do Peru destitui ministro após assassinato de cantor

Após a morte de Paul Flores, o governo decretou estado de emergência por um mês em Lima

Congresso do Peru destitui ministro após assassinato de cantor
Congresso do Peru destitui ministro após assassinato de cantor
Sessão plenária no Congresso do Peru em 21 de março de 2025. Foto: AFP/Congresso Peruano/Ernesto Arias
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O Congresso do Peru censurou nesta sexta-feira 21 o ministro do Interior, Juan José Santiváñez, que terá de deixar o cargo, pressionado pela falta de resultados na luta contra o crime organizado.

Por 79 votos a favor, 11 contra e 20 abstenções, o parlamento aprovou a censura ao ministro “por sua responsabilidade política e sua incapacidade de enfrentar a onda de insegurança” no país, segundo moção votada em sessão pública. Eram necessários 66 votos para retirá-lo do cargo.

A destituição encerra uma semana tensa, após o assassinato, no último domingo, do cantor de cúmbia Paul Flores. Um grupo criminoso exigia dinheiro da banda de Flores para não matá-los.

A votação ocorreu horas antes de uma manifestação em Lima para exigir do governo medidas contra as extorsões e a violência, além da renúncia do ministro.

Após o assassinato, o governo decretou estado de emergência por um mês em Lima, para que os militares ajudem a polícia em suas operações contra o crime organizado.

Nos primeiros três meses do ano, 459 homicídios foram registrados por causa da violência urbana no Peru, segundo o Sistema Informatizado Nacional de Óbitos. A imprensa peruana indicou que essa é a cifra mais alta das últimas duas décadas.

A presidenta Dina Boluarte tem até 72 horas para nomear o sucessor de Santiváñez, um advogado de 47 anos, que estava no cargo há 10 meses. Ele acumulava questionamentos à sua gestão por enfrentar o Ministério Público e ONGs de defesa dos direitos humanos e da imprensa.

Santiváñez é investigado pelo MP por suposto abuso de autoridade decorrente do escândalo em torno de relógios de luxo não declarados pela presidente do país.

O Peru vive um clima crescente de insegurança, que teve início em meados de 2024, quando cinco motoristas foram assassinados. Segundo autoridades, o crime organizado mudou substancialmente nos últimos anos no Peru, devido ao tráfico de armas e à presença de grupos como o Tren de Aragua, de origem venezuelana.

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