Mundo
Companhias aéreas anunciam aumento nas tarifas devido à guerra no Oriente Médio
O conflito levou a alta na cotação do petróleo e fez diminuir o volume de viagens internacionais
A interrupção da escalada dos preços do petróleo na segunda-feira 9, após as declarações de Donald Trump sobre um fim iminente da guerra, não teve efeitos imediatos no setor de transporte. Diversas companhias aéreas anunciaram nesta terça-feira 10 um aumento nas passagens, citando como justificativa a forte alta nos custos de combustível provocada pelo conflito no Oriente Médio.
A guerra no Irã elevou as cotações internacionais do petróleo, reduziu o volume de viagens internacionais, fez as tarifas aéreas dispararem em algumas rotas e aumentou os temores de um colapso no setor de turismo.
O preço do barril de querosene, que oscilava entre 85 e 90 dólares antes dos ataques israelo-americanos contra o Irã, subiu nos últimos dias para uma faixa entre 150 e 200 dólares, segundo a Air New Zealand. A companhia também suspendeu suas projeções financeiras para 2026 devido à incerteza causada pelo conflito.
“Aumentos dessa magnitude exigem que reajamos para manter a estabilidade e a confiabilidade de nossas operações”, afirmou um porta-voz da escandinava SAS, acrescentando que foi implementado um “ajuste temporário de preços”.
As empresas aéreas normalmente utilizam políticas de hedge de combustível para reduzir o impacto da volatilidade do petróleo em seus custos operacionais, firmando contratos financeiros que preveem uma espécie de “bloqueio” do preço. Na prática, elas não compram o combustível antecipadamente, mas negociam instrumentos futuros que garantem um valor previamente definido para uma quantidade específica do insumo. Ainda assim, a estratégia não impede que aumentos persistentes no valor do querosene de aviação acabem sendo transferidos às tarifas.
A SAS informou no ano passado que havia ajustado temporariamente sua política de hedge de combustível devido às incertezas do mercado e que não possuía contratos ativos desse tipo para o consumo previsto nos próximos doze meses.
A companhia Finnair alertou que até mesmo a disponibilidade de combustível pode ser comprometida caso o conflito se prolongue. “Uma crise prolongada poderia afetar não apenas os preços do combustível, mas também sua disponibilidade, ao menos temporariamente”, afirmou um porta-voz da empresa finlandesa, acrescentando que isso ainda não ocorreu. A Finnair havia feito hedge de mais de 80% de suas compras de combustível para o primeiro trimestre.
O Kuwait, um dos principais exportadores de querosene para o noroeste da Europa, enfrentou cortes na produção.
Espaço aéreo reduzido
Além dos altos custos de combustível, a redução do espaço aéreo disponível também ameaça desorganizar o setor global de viagens. Pilotos vêm sendo obrigados a alterar rotas para evitar a região do conflito, o que pressiona a capacidade de itinerários populares.
As passagens aéreas dispararam nas rotas entre Ásia e Europa devido ao fechamento de corredores aéreos e a restrições de capacidade. A Cathay Pacific, sediada em Hong Kong, anunciou nesta terça-feira que adicionará voos extras para Londres e Zurique em março.
A australiana Qantas afirmou que, além de aumentar as tarifas internacionais, está estudando opções para redirecionar capacidade para a Europa, já que companhias aéreas e passageiros buscam rotas alternativas para evitar interrupções no Oriente Médio, onde ataques com drones e mísseis reduziram o número de voos.
A Air New Zealand informou ter elevado as tarifas de ida na classe econômica em 10 dólares neozelandeses (cerca de 30,70 reais) em voos domésticos, 20 dólares neozelandeses (61,37 reais) em rotas internacionais de curta distância e 90 dólares neozelandeses (276 reais) nas de longa distância, com possíveis novos ajustes de preços e horários caso os custos de combustível permaneçam elevados.
A Hong Kong Airlines anunciou em seu site que aumentará suas taxas de combustível em até 35,2% a partir de quinta-feira 12, com os maiores reajustes aplicados às rotas entre Hong Kong e Maldivas, Bangladesh e Nepal.
Na abertura dos mercados europeus nesta terça-feira, as ações de companhias aéreas subiram entre 4% e 7%, após Donald Trump prever na segunda-feira um fim iminente da guerra com o Irã. Na Ásia, os papéis do setor mostraram sinais de estabilização, com ganhos entre 0,5% e 3,6%, após fortes quedas registradas na segunda.
Os preços do petróleo também recuaram abaixo da marca simbólica de US$ 100 por barril. O combustível é a segunda maior despesa das companhias aéreas, atrás apenas da mão de obra, e costuma representar entre um quinto e um quarto dos custos operacionais.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Petróleo opera em queda e bolsas em alta depois de Trump dizer que guerra será de curto prazo
Por AFP
Trump diz que guerra com o Irã será uma ‘incursão de curto prazo’; Guarda Revolucionária iraniana rebate
Por CartaCapital



