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“Coletes amarelos” acirram queda de braço com Macron

Sob pressão, presidente francês se lançou ao interior do país para dialogar. Não bastou: o país foi novamente tomado por protestos

Manifestantes entraram em confronto com a polícia em Nancy, no nordeste da França (Foto: JEAN-CHRISTOPHE VERHAEGEN/AFP)
Manifestantes entraram em confronto com a polícia em Nancy, no nordeste da França (Foto: JEAN-CHRISTOPHE VERHAEGEN/AFP)
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Mais de 80 mil manifestantes foram às ruas de Paris e várias cidades francesas neste sábado (19/01), no décimo fim de semana consecutivo de protestos dos chamados “coletes amarelos”, que desafiam o governo do presidente Emmanuel Macron.

Os protestos deste sábado dos “coletes amarelos” – nome que se refere ao colete fluorescente de sinalização que os motoristas possuem em seus veículos – foram os primeiros depois que Macron lançou um grande debate nacional, uma fórmula com a qual ele alega que as queixas dos cidadãos serão canalizadas através de diálogos em vez de protestos nas ruas.

Neste sábado, o governo estimou em 84 mil o número de manifestantes – cifra similar à registrada no fim de semana passado. Havia mais de 80 mil policiais nas ruas. A polícia vem sendo criticada pelos manifestantes pelo uso da força para controlar as marchas, sobretudo com o uso de balas de borracha.

“Não é normal tratar as pessoas como eles estão tratando. Temos pessoas feridas todos os sábados”, disse Juliette Rebet, manifestante que compareceu ao protesto em Paris.

Os protestos começaram no dia 17 de novembro, com motoristas irritados com um aumento dos impostos sobre combustíveis, e ganharam dimensões maiores, passando a incorporar queixas sobre as políticas de Macron que, segundo os “coletes amarelos”, beneficiam apenas os mais ricos.

Grande parte da indignação dos manifestantes tem origem na queda das rendas domésticas e na crença de que o presidente, um ex-banqueiro de investimentos considerado próximo a grandes empresas, é indiferente às dificuldades das classes mais baixas.

Para tentar apaziguar os manifestantes, Macron lançou em 15 de janeiro uma ofensiva para discutir os problemas do país com o povo. Os debates, que serão feitos na internet e nas prefeituras, se concentraram em quatro temas: impostos, energia verde, reforma institucional e cidadania.

A redução das rendas domésticas fermenta os protestos contra Macron, visto como insensível às dificuldades da população (Foto: ERIC FEFERBERG/AFP)

“Acabou! Nós estamos nos divorciando das elites e não tem volta atrás”, disse Michel, engenheiro informático de 53 anos, pai de três filhos, que compareceu pelo nono fim de semana consecutivo aos protestos em Paris.

Mas os assessores de Macron dizem que está fora de questão mudar o rumo das reformas que ele leva adiante para liberalizar a economia.

O centrista de 40 anos se elegeu em maio do ano passado com uma plataforma política favorável ao setor de negócios, que incluía medidas para incentivar as empresas a gerar empregos. Após assumir o cargo, Macron promoveu cortes nos impostos sobre os empresários e pessoas de renda mais alta.

Os autoproclamados porta-vozes dos “coletes amarelos” já desacreditaram esse debate nacional e apelaram para o aumento das manifestações. Nas ruas de Paris, o principal apelo dos manifestantes era pela renúncia de Macron.

Deutsche Welle

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