Mundo

‘Claro que vou terminar o meu mandato’, diz Pedro Castillo em primeira entrevista internacional

O ex-sindicalista fez clamor por apoio no Congresso e admitiu sua inexperiência como político: ‘Não fui treinado para ser presidente’

O jornalista Fernando del Rincón entrevistou o presidente peruano Pedro Castillo. Foto: Reprodução
O jornalista Fernando del Rincón entrevistou o presidente peruano Pedro Castillo. Foto: Reprodução
Apoie Siga-nos no

Em sua primeira entrevista a um veículo internacional como presidente do Peru, Pedro Castillo demonstrou estar confiante de que vai terminar o seu mandato. Ele afirmou ainda que não foi “treinado” para exercer o cargo que ocupa e disse que está em processo de “aprendizagem”.

As declarações ocorreram na edição?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen> de segunda-feira 24 do programa Conclusiones, da emissora CNN en Español.

Castillo tomou posse como presidente do Peru em julho do ano passado após derrotar a candidata de extrema-direita Keiko Fujimori. Desde então, o ex-sindicalista tem vivido uma tormenta: já foi alvo de pedido de impeachment, é associado a escândalos de corrupção e vê seus índices de reprovação aumentarem.

Na entrevista, o jornalista mexicano Fernando del Rincón havia questionado se, diante dos escândalos, Castillo terminaria o seu mandato.

“Claro. O povo me trouxe aqui para fazer as coisas de bem. Eu não vou roubar um centavo do meu país”, disse. Em seguida, minimizou as ameaças de impeachment no Congresso: “Estamos falando de alguns congressistas, de um setor do Congresso. Eu creio que as bancadas responsáveis, de esquerda e de centro, as pessoas e os congressistas que amam o país não se prestarão a esse jogo. Eles têm a sua própria agenda.”

Sobre os desentendimentos com o próprio partido, Perú Libre, Castillo disse que é natural da vida partidária que haja “controvérsias e análises distintas” e que no fim a relação sai fortalecida. O presidente da legenda, Vladimir Cerrón, porém, não tem nenhuma influência sobre as nomeações em seu governo, especialmente nas Forças Armadas, um dos temas mais polêmicos de sua gestão – Castillo é acusado de tentar forçar promoções de oficiais.

Castillo também admitiu que não tem experiência como político.

“Nunca me formei para [ser] político. Como eu digo e reitero: eu não fui treinado para ser presidente”, disse.

Em seguida, Rincón questionou se Castillo estaria fazendo do Peru a sua “escola para aprender a ser presidente”.

“Isso não quer dizer que vou terminar o meu governo aprendendo”, disse Castillo, em um dos momentos mais tensos da entrevista. Em seguida, disse que “o Peru vai seguir sendo a sua escola”.

Castillo se pronunciou ainda sobre o escândalo da Casa de Breña, que surgiu no noticiário peruano em novembro do ano passado, depois que a emissora América Notícias exibiu reportagens com o flagra de visitas do presidente a uma casa em um dos distritos de Lima. O caso ganhou repercussão porque Castillo teria realizado reuniões secretas e despachos presidenciais de forma extra-oficial.

O mandatário alegou que vai ao local para “tomar um café” e tratar de “assuntos familiares”. Além disso, negou que tenha realizado reuniões para tratar de assuntos de Estado.

Ele afirmou que apoia as investigações abertas recentemente contra a empresária Karelim López, a quem seu governo teria favorecido com licitações irregulares em projetos de infraestrutura, e Bruno Pacheco, seu ex-secretário de governo que foi encontrado com 20 mil dólares dentro da sede presidencial no ano passado.

A CNN ainda deve exibir a segunda parte da entrevista na noite desta terça-feira 25.

 

Victor Ohana

Victor Ohana
Repórter do site de CartaCapital

Tags: , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.