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CIJ se declara competente para julgar caso sobre invasão russa da Ucrânia

Haia, porém, não julgará acusação de que a invasão russa viola a Convenção sobre o Genocídio

CIJ se declara competente para julgar caso sobre invasão russa da Ucrânia
CIJ se declara competente para julgar caso sobre invasão russa da Ucrânia
Os presidentes da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e da Rússia, Vladimir Putin. Foto: Ludovic Marin e Grigory Sysoyev/AFP
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A Corte Internacional de Justiça (CIJ), máxima instância judicial da ONU, se declarou competente, nesta sexta-feira 2, para julgar a maioria das acusações apresentadas pela Ucrânia sobre a invasão russa iniciada em 2022, pelas quais exige indenização de Moscou.

A Ucrânia iniciou o procedimento na CIJ, com sede na cidade holandesa de Haia, alguns dias depois do início da invasão, em 24 de fevereiro de 2022, acusando a Rússia de justificar a operação militar com falsas acusações de genocídio.

O presidente russo, Vladimir Putin, justificou a operação militar, em parte, pelo suposto “genocídio” que o governo de Kiev estaria cometendo no leste da Ucrânia, uma região de fala russa.

Dois dias depois, a Ucrânia recorreu à CIJ, “negando categoricamente” essas acusações e alegando que usar o “genocídio” como pretexto para realizar uma invasão vai contra a Convenção das Nações Unidas sobre Genocídio, de 1948.

Em uma decisão preliminar emitida em março de 2022, a CIJ apoiou os argumentos da Ucrânia e ordenou à Rússia encerrar sua campanha militar.

Moscou se opôs a esse veredito e afirmou que a CIJ, que resolve disputas entre Estados, não tinha legitimidade para julgar o caso.

Nesta sexta-feira, o tribunal rejeitou o argumento da Rússia, afirmando que é competente para julgar essa questão.

A Ucrânia também havia declarado, em seu requerimento, que a invasão russa violava a Convenção sobre o Genocídio, mas a CIJ indicou nesta sexta-feira que não é competente para emitir uma decisão sobre essa parte do caso.

O tribunal também se declarou incompetente para se pronunciar sobre outro ponto pleiteado pela Ucrânia: se o reconhecimento, por parte de Moscou, das regiões de Luhansk e de Donetsk, no leste da Ucrânia, violava a convenção.

O representante da Ucrânia, Anton Korynevych, declarou à imprensa que a decisão da CIJ representa uma “vitória para a Ucrânia” e comemorou a continuidade do processo.

Segundo o advogado, “é importante que a corte decida sobre o assunto de que a Ucrânia não é responsável” pelo “genocídio imaginário” que, segundo a Rússia, Kiev estaria cometendo no Donbass desde 2014.

“Conflito armado”

As decisões da CIJ são legalmente vinculantes para os Estados, mas o fato de as hostilidades na Ucrânia prosseguirem demonstra a dificuldade de fazê-las cumprir.

O tribunal apontou que já havia instado a Rússia a “suspender imediatamente” suas operações militares, mas que “o conflito armado continua no dia de hoje”.

Trinta e dois países, todos eles aliados ocidentais da Ucrânia, apoiaram Kiev neste caso.

Em outro caso, a CIJ rejeitou na quarta-feira os argumentos ucranianos, segundo os quais a Rússia apoiou financeiramente por anos os rebeldes separatistas no leste do país, antes da invasão.

A Corte rejeitou a maioria dos processos da Ucrânia, mas determinou que a Rússia não havia investigado possíveis violações da convenção internacional sobre o financiamento do terrorismo.

A CIJ foi o centro das atenções mundiais na semana passada por um caso sobre a guerra na Faixa de Gaza.

O tribunal instou Israel a tomar todas as medidas para prevenir um possível genocídio durante suas operações militares em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro.

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