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China se distancia dos Estados Unidos na questão climática

Na semana que passou, visita de governador da Califórnia a Pequim teve mais relevância que passagem de secretário de Trump

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A China recebeu nesta semana com frieza o secretário americano de Energia após a decisão de Washington de abandonar o Acordo de Paris, mas acolheu de braços abertos o governador da Califórnia, mostrando a vontade de Pequim de liderar a luta contra a mudança climática.

O secretário Rick Perry chegou a Pequim poucos dias depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a sua histórica decisão de abandonar o Acordo de Paris sobre o clima, embora quisesse passar uma mensagem de tranquilidade.

“Não voltamos atrás e não deixaremos nenhum espaço vazio […] os Estados Unidos não renunciaram ao seu papel de líder para ter um planeta limpo”, disse Perry na segunda-feira 5 durante uma escala em Tóquio, citado pela agência Bloomberg. “Se os chineses querem pegar a coroa […] será um grande desafio”, acrescentou.

Com um tom mais diplomático, Perry afirmou na quinta-feira 8 em Pequim durante um encontro com o vice-primeiro-ministro chinês, Zhang Gaoli, que existem “oportunidades extraordinárias” de colaboração com os Estados Unidos em energias limpas.

Mas, paralelamente, e deixando o protocolo de lado, o governador da Califórnia, Jerry Brown, contrário à saída do Acordo de Paris, se encontrou pessoalmente nesta semana com Xi Jinping para uma longa reunião.

O encontro repercutiu na imprensa de ambos os países e eles assinaram um acordo entre a Califórnia, considerada a sexta economia mundial, e a China para promover as “tecnologias verdes”.

Em comparação, Rick Perry sequer conseguiu se reunir com Xi, que espera que “os estados americanos e as províncias chinesas reforcem a sua união” sobre a questão climática.

O secretário americano, que até 2015 era governador do Texas e defendia o Acordo de Paris, foi muito discreto em sua passagem por Pequim, onde participa de um fórum sobre as energias limpas. Na terça-feira 6, defendeu as tecnologias para a captura de CO2 usadas no Texas, mas na quinta 8 não apareceu em uma conferência onde, a princípio, tinha que participar.

Tudo ao contrário do feito por Jerry Brown, que aumentou suas aparições e encontros, criticando Trump e elogiando as políticas energéticas de seu estado. “A Califórnia se comprometeu com Washington, Nova York e outros [estados] para se motivarem e atuarem mais” nas energias limpas “em grande parte por causa de Trump”, disse o governador à AFP.

Na semana passada, uma dezena de estados e centenas de cidades se comprometeram a lutar juntas para reduzir as emissões dos Estados Unidos, o segundo maior emissor mundial de CO2 e para cumprir com os objetivos do Acordo de Paris. “Tento despertar as pessoas sobre o combate à mudança climática. A China é um aliado importante, com grandes recursos […] para acelerar a nossa ação”, disse Brown.

Washington sofreu outro revés diplomático nesta semana com a demissão de David Rank, o encarregado dos negócios americanos na China, representante diplomático de mais alto escalão no país. Segundo a imprensa, a decisão é explicada por sua oposição à política climática de Trump.

“Rick Perry está em uma posição delicada. A administração Trump está realmente desconectada da comunidade internacional, fica muito claro nas reuniões como as de Pequim”, disse Alex Perera, diretor adjunto da ONG WRI Energy Program.

O vice-presidente da Comissão Europeia, Maros Sefcovic, assegurou que Trump “parece querer voltar à segunda revolução industrial” do século XIX, baseada no carvão. “Mas os prefeitos e os governadores americanos seguem comprometidos” e “apegados à modernidade”, afirmou à AFP.

*Leia mais na AFP

CartaCapital

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