Mundo
China realiza teste de mísseis no Pacífico e países da região protestam
Para a Austrália, os exercícios militares chineses desestabilizam a área
A Marinha da China anunciou nesta segunda-feira 6 um teste bem-sucedido de lançamento de um míssil sem ogiva nuclear no Pacífico, o que provocou a condenação de vários países da região, apesar de uma advertência prévia de Pequim.
O lançamento ocorreu poucas horas depois de Austrália e Fiji assinarem um importante tratado de defesa, considerado um instrumento para que Canberra contenha a crescente influência diplomática e econômica de Pequim na estratégica região do Pacífico Sul.
O teste desta segunda-feira não é algo inédito: em setembro de 2024, a China já havia lançado ao Pacífico um míssil balístico intercontinental, também sem ogiva nuclear, algo que não acontecia em águas internacionais há mais de 40 anos.
“Às 12h01 (1h01 de Brasília) de 6 de julho, um submarino nuclear estratégico do Exército de Libertação Popular da China lançou um (…) míssil estratégico com ogiva de treinamento em alto-mar, no Oceano Pacífico, atingindo a área marítima designada”, afirmou o porta-voz Wang Xuemeng em um comunicado publicado pela Marinha.
O termo “míssil estratégico” costuma se referir a um míssil balístico intercontinental, com capacidade de transportar uma ogiva nuclear por milhares de quilômetros. No entanto, quando questionado a respeito, o Ministério da Defesa chinês não confirmou que o lançamento desta segunda-feira envolveu um míssil do tipo.
“O disparo de teste é parte dos exercícios militares anuais de rotina da China. Uma notificação prévia foi enviada aos países afetados (…) Este lançamento não está direcionado contra nenhum país, nem contra um alvo em particular”, ressaltou a Marinha chinesa.
Japão, Nova Zelândia e Austrália criticaram o teste – o governo australiano chamou o lançamento de “desestabilizador para a região”.
A China reforçou sua capacidade militar nas últimas décadas, em consonância com seu desenvolvimento econômico e seu peso diplomático. Segundo estimativas do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), Pequim possuía 600 armas nucleares no ano passado, ou seja, 100 a mais do que em 2024.
O governo dos Estados Unidos, país que possui 3.700 armas segundo o Sipri, acusa o Exército chinês de querer reforçar de forma significativa seu arsenal.
Exercícios com Moscou
Este disparo de teste chinês aconteceu no momento em que a Marinha do país e a da Rússia iniciavam os exercícios navais anuais na costa de Qingdao, um importante porto militar e balneário turístico do leste da China. Não há nada, no entanto, que permita vincular os dois acontecimentos.
Pequim se esforça há vários anos para reforçar sua influência no Pacífico, multiplicando a ajuda humanitária e os projetos de infraestrutura nas nações insulares, uma forma de impor-se como um parceiro imprescindível diante das potências ocidentais tradicionais.
A China aplica uma política de “não primeiro uso” de armas nucleares, com a promessa de nunca tomar a iniciativa de empregar uma bomba nuclear, embora se reserve o direito de responder em caso de ataque com uma arma desse tipo.
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