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Chefe da inteligência alemã minimiza xenofobia e perde o cargo
Hans-Georg Maassen se tornou pivô de um escândalo nacional, que ameaçou abalar coalizão do governo Angela Merkel
O governo alemão anunciou na terça-feira 18 a remoção do chefe da inteligência alemã, Hans-Georg Maassen, do cargo. Ele se tornou pivô de um escândalo nacional após ter dado declarações minimizando protestos xenófobos e a violência de extrema-direita em Chemnitz, no leste do país.
Após uma reunião entre a chanceler federal Angela Merkel, da União Democrata Cristã (CDU), e seus parceiros de coalizão – Horst Seehofer, da União Social Cristã (CSU), e Andrea Nahles, do Partido Social Democrata –, o governo anunciou que Maassen será transferido para o cargo de secretário de Estado no Ministério do Interior.
As autoridades ainda não informaram quem vai substituir Maassen como presidente do Departamento de Proteção à Constituição da Alemanha (BfV), como é chamado o serviço de inteligência do país.
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O SPD havia pressionado pela remoção de Maassen do cargo. Seehofer – que além de líder da CSU é ministro do Interior – havia, no entanto, manifestado apoio ao político, fazendo do futuro dele um possível novo foco de crise no governo. Seehofer afirmou que a troca de cargo significará uma promoção para Maassen.
Após Merkel condenar a violência em manifestações de extrema-direita em Chemnitz, Maassen questionou a autenticidade de imagens que mostraram agressões por parte de manifestantes, numa polêmica entrevista concedida no início deste mês ao tabloide Bild.
A chanceler federal havia criticado imagens dos protestos em que se viam dois homens árabes atacados, denunciando tal comportamento como uma “caça” a estrangeiros. Maassen contradisse a chanceler federal, afirmando não haver evidências para tal afirmação e levantando dúvidas sobre a autenticidade do vídeo. Após a polêmica, ele voltou atrás e disse que as imagens são verdadeiras.
Chemnitz, na Saxônia, foi palco de uma série de violentos protestos anti-imigrantes após 26 de agosto, quando um alemão de 35 anos foi esfaqueado e morto durante uma briga na cidade. Os três suspeitos pelo crime são requerentes de refúgio da Síria e do Iraque.
Depois da morte, simpatizantes da extrema-direita, neonazistas e críticos da política de refugiados de Merkel saíram às ruas de Chemnitz, e foram registrados ataques xenófobos.
Além da polêmica envolvendo os protestos em Chemnitz, Maassen esteve no centro de mais um escândalo na semana passada, após revelações de que ele teria passado informações do relatório anual de sua agência, antes de sua publicação, para o partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

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