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Chavismo domina eleições na Venezuela ao conquistar Caracas e 20 estados

O líder opositor Juan Guaidó não votou e permaneceu em silêncio

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Foto: Yuri Cortez/AFP
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Foto: Yuri Cortez/AFP
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O chavismo conquistou no domingo 21 a prefeitura de Caracas e 20 dos 23 governos nas eleições regionais da Venezuela, em um processo que voltou a contar a com participação da oposição após anos de pedidos de boicote e campanhas a favor da abstenção.

O presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Pedro Calzadilla, anunciou uma taxa de participação de 41,8%, com o comparecimento de 8,1 milhões dos 21 milhões de votantes que estavam registrados para comparecer às urnas.

O Partido Socialista Unido da da Venezuela (PSUV) venceu a prefeitura da capital do país, Caracas, e os governos de Amazonas, Anzoátegui, Apure, Aragua, Barinas, Bolívar, Carabobo, Delta Amacuro, Falcón, Guárico, Lara, La Guaira, Mérida, Miranda, Monagas, Portuguesa, Sucre, Táchira, Trujillo e Yaracuy.

Enfraquecida e fragmentada no retorno de seus principais partidos à disputa eleitoral, a oposição venceu apenas em três estados, incluindo Zulia, o mais populoso do país.

E sofreu uma dura derrota em uma região crucial que governava: Táchira, na fronteira com a Colômbia.

Os maiores partidos opositores não participaram da eleição presidencial de 2018, que terminou com a reeleição de Nicolás Maduro, e das legislativas de 2020, quando o governo recuperou a maioria no Parlamento. A oposição denunciou que os dois pleitos foram “fraudulentos”.

“As forças revolucionárias venceram 21 (estados), incluindo a capital do país (…). Bom triunfo, boa vitória, boa colheita produto do trabalho, um trabalho perseverante”, celebrou Maduro.

O primeiro boletim eleitoral foi divulgado com a apuração de 90,21% dos votos, informou Calzadilla.

A eleição contou com o retorno de observadores internacionais: a União Europeia, que não trabalhava em uma eleição na Venezuela há 15 anos, integrou uma missão de 130 delegados, que também teve representantes da ONU e do Centro Carter.

Em eleições anteriores, as autoridades venezuelanas optaram por “missões de acompanhamento” de países e organizações próximas ao chavismo.

“Abstenção e divisão” 

As eleições regionais eram consideradas um novo ponto de partida tanto para Maduro, que busca o fim das sanções internacionais, como para a oposição, que retornou ao processo eleitoral com o olhar voltado para uma eleição presidencial “transparente” em 2024, embora no próximo ano exista a possibilidade de um referendo para revogar o mandato de Maduro.

“Os resultados do CNE mostram poucas surpresas. O mapa fica fundamentalmente vermelho (cor do PSUV), como se esperava”, afirmou o analista Luis Vicente León, diretor do instituto de pesquisas Datanálisis.

“Este resultado é lamentável para a oposição, pois foi definido fundamentalmente devido à abstenção e divisão”, completou León, em referência às dificuldades dos rivais de Maduro para estabelecer candidaturas unificadas.

A fragmentação facilitou o trabalho do chavismo em áreas tradicionalmente opositoras como Táchira.

“Hoje venceu a democracia e triunfou o compromisso”, tuitou o ex-candidato à presidência Manuel Rosales, vitorioso em Zulia, estado que já governou entre 2000 e 2008.

Uma morte foi registrada em um tiroteio nas proximidades de um centro de votação em Zulia, mas o ministro do Interior, Remigio Ceballos, afirmou que o fato foi um “crime isolado do processo eleitoral”.

Os locais de votação abriram às 6H00 em toda Venezuela e deveriam fechar às 18H00, mas o horário foi prorrogado, o que provocou críticas da oposição. A lei venezuelana afirma que, enquanto houver eleitores na fila, os centros de votação devem permanecer abertos.

O retorno de observadores da UE é, segundo analistas, uma das concessões do presidente Maduro para tentar obter o fim das sanções, que incluem um embargo petroleiro do governo dos Estados Unidos.

O líder opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por dezenas de países, não votou e permaneceu em silêncio.

Guaidó defendeu nesta semana “unificar a luta” contra Maduro depois das eleições e insistiu em buscar um acordo nas negociações empreendidas pelo governo e a oposição no México, paralisadas desde a extradição aos Estados Unidos do empresário colombiano Alex Saab, ligado ao governante chavista.

O presidente Nicolás Maduro, no entanto, afirmou no domingo que “não há condições” para retomar as conversações.

AFP

AFP
Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.

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