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Candidato pró-Rússia e prefeita de pequena cidade avançam ao 2º turno na Romênia

A Romênia tem uma fronteira de 650 quilômetros com a Ucrânia e tem um papel estratégico para a Otan, que mantém mais de 5.000 soldados no país

Candidato pró-Rússia e prefeita de pequena cidade avançam ao 2º turno na Romênia
Candidato pró-Rússia e prefeita de pequena cidade avançam ao 2º turno na Romênia
Elena Lasconi, da centro-direita, disputará a presidência da Romênia com Calin Georgescu, da extrema-direita. Fotos: AFP
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O candidato pró-Rússia Calin Georgescu surpreendeu e foi o mais votado no primeiro turno das eleições presidenciais de domingo (24) na Romênia e enfrentará uma prefeita relativamente desconhecida no segundo turno, depois de derrotar o candidato pró-Europa, segundo os resultados quase definitivos publicados nesta segunda-feira.

Com mais de 99% das urnas apuradas, o candidato de extrema-direita Georgescu, 62 anos, que é contrário a fornecer ajuda à vizinha Ucrânia e critica com frequência a Otan, recebeu 22,94% dos votos. Elena Lasconi, 52 anos, prefeita de centro-direita de uma pequena cidade, recebeu 19,17% dos votos.

Os dois disputarão o segundo turno em 8 de dezembro.

O primeiro-ministro pró-Europa Marcel Ciolacu, que era considerado o favorito, ficou em terceiro lugar com 19,15%, o que representa mil votos a menos que Lasconi.

Calin Georgescu surpreendeu com uma campanha viral na rede TikTok centrada no apelo ao fim do apoio a Kiev. “Esta noite, o povo romeno clamou pela paz. E gritou muito alto, extremamente alto”, disse no domingo.

Outro candidato de extrema-direita, George Simion, de 38 anos, líder do partido Aliança para a Unidade dos Romenos (AUR), ficou em quarto lugar (13,87%).

“A extrema-direita é, de longe, a grande vencedora das eleições”, com mais de um terço dos votos, afirmou.

O Kremlin afirmou nesta segunda-feira que “não conhece bem as opiniões do candidato (Georgescu) a respeito das relações com nosso país”.

O resultado é um terremoto político no país de 19 milhões de habitantes, membro da Otan e da União Europeia, e que até agora havia resistido às posturas nacionalistas de vizinhos como a Hungria e a Eslováquia.

Inflação e guerra na Ucrânia

“Parece um homem íntegro, sério e patriótico. Inspira seriedade. Acho que só alguém como ele pode gerar mudanças”, disse Maria Chis, uma aposentada de 70 anos, que ficou impressionada com os vídeos no TikTok de Georgescu.

Alex Tudose, dono de uma empresa de construção, estava preocupado com o resultado. “Há tristeza, decepção, porque depois de tantos anos em estruturas euro-atlânticas votamos em um pró-russo com mais de 20%”, disse o homem de 42 anos.

O Partido Social-Democrata de Marcel Ciolacu domina a vida política da Romênia há mais de três décadas. O atual governo é uma coalizão deste partido, herdeiro do Partido Comunista, com os liberais do PNL, que também viu seu candidato eliminado no primeiro turno.

A preocupação crescente com a inflação e a guerra na vizinha Ucrânia gerou o avanço da extrema-direita. A Romênia tem uma fronteira de 650 quilômetros com a Ucrânia e tem um papel estratégico para a Otan, que mantém mais de 5.000 soldados no país.

Também é uma nação crucial para o trânsito de grãos procedentes da Ucrânia, segundo o grupo New Strategy Center.

A campanha foi marcada por controvérsias e ataques pessoais. O ultradireitista Simion foi acusado de ter reuniões com espiões russos, o que ele nega, enquanto Ciolacu foi criticado pelo uso de aviões particulares.

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