Mundo
Candidato de esquerda vence primárias democratas no Michigan e disputará o Senado dos EUA
Crítico da influência de setores pró-Israel sobre a política norte-americana, Abdul El-Sayed enfrentará o republicano Mike Rogers
O médico Abdul El-Sayed, de 41 anos, venceu as primárias do Partido Democrata em Michigan com 48,5% dos votos e será o candidato da legenda ao Senado na eleição de novembro, segundo projeções divulgadas pelas emissoras NBC e CNN nesta quarta-feira 5. A vitória do candidato — de esquerda — representa uma derrota para o setor mais tradicional dos democratas, que apoiava Haley Stevens.
Durante a campanha, El-Sayed, que já foi diretor de saúde pública de Detroit, defendeu uma plataforma alinhada à ala progressista do partido, com críticas à influência de grandes doadores e de organizações pró-Israel sobre a política americana. Ele recebeu o apoio de lideranças nacionais como o senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez.
O candidato democrata enfrentará em novembro o republicano Mike Rogers pela vaga deixada pelo senador Gary Peters, que decidiu não disputar a reeleição. O pleito em Michigan é considerado estratégico para os democratas na tentativa de recuperar a maioria no Senado nas eleições de meio de mandato.
Com mais de 10 milhões de habitantes, Michigan é um dos fatores decisivos no mapa eleitoral americano. Em 2024, Donald Trump venceu no estado.
O triunfo de El-Sayed amplia uma sequência de resultados favoráveis à ala progressista democrata em primárias recentes, depois de resultados semelhantes em estados como Nova York e Colorado.
Após a divulgação das projeções, Trump classificou El-Sayed como um “comunista perdedor que odeia judeus e Israel”. “Ótimas notícias para o Partido Republicano. […] Como sempre, as pesquisas erraram feio desta vez. Não se esperava que ela se saísse tão bem quanto se saiu. Agora, as políticas insanas dos democratas só vão piorar!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
(Com informações da AFP)
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Brasil descarta acelerar aval a embaixador dos EUA e vê crise com o país entrar em espiral até as eleições
Por Vinícius Nunes
Congressistas democratas acusam Trump de usar o FBI para ‘intimidá-los’
Por AFP



