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Cabe aos iranianos decidir o futuro de seu país, diz o governo Lula
O Itamaraty expressou preocupação com a situação e defendeu um ‘diálogo pacífico’
O Itamaraty expressou, nesta terça-feira 13, preocupação com os protestos no Irã, pediu um “diálogo pacífico” e enfatizou caber aos iranianos decidir o futuro de seu país.
A publicação da nota oficial ocorre em meio a protestos iniciados em 28 de dezembro que, após mirarem a situação econômica do país, levaram os manifestantes a pedir o fim do regime dos aiatolás, que governam desde a Revolução de 1979.
A repressão aos atos deixou ao menos 734 mortos, segundo a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega. A organização alertou, no entanto, que o número real de mortos pode ultrapassar 6.000.
“O governo brasileiro acompanha, com preocupação, a evolução das manifestações que ocorrem, desde o dia 28 de dezembro, em diversas localidades do Irã”, diz a nota do Itamaraty, que lamenta as mortes. “Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo.”
O Ministério das Relações Exteriores afirma se manter atento às necessidades da comunidade brasileira no Irã e informa não haver, até o momento, registro de nacionais mortos ou feridos.
A postura do governo brasileiro contrasta com a presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que instou os manifestantes a manter o movimento e derrubar as autoridades da República Islâmica.
“Patriotas iranianos, MANTENHAM AS MANIFESTAÇÕES”, escreveu Donald Trump em sua plataforma Truth Social, nesta terça-feira 13. “Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que CESSEM este massacre sem sentido de manifestantes. A AJUDA ESTÁ A CAMINHO”, completou o republicano.
Trump ameaçou em diversas ocasiões intervir militarmente e, agora, em uma tentativa de intensificar a pressão, anunciou que aplicará “imediatamente” tarifas de 25% aos parceiros comerciais do Irã.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse à Al Jazeera que o governo ordenou o bloqueio da internet depois de “se deparar com operações terroristas e perceber que as ordens vinham de fora do país”.
Em relação às ameaças de Trump, ele acrescentou: “Estamos preparados para qualquer eventualidade e esperamos que Washington escolha uma opção sensata. Independentemente da opção escolhida, estamos preparados para ela”.
(Com informações da AFP)
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