Brasileira é uma das vítimas do atentado à basílica de Nice, na França

Nascida em Salvador (BA), Simone tinha 44 anos, morava na França há 30 e deixou três filhos

Simone – que foi ferida a facadas e morreu num restaurante quase em frente à catedral, onde tinha tentado se refugiar – morava na França há três décadas. Foto: Valery HACHE / AFP

Simone – que foi ferida a facadas e morreu num restaurante quase em frente à catedral, onde tinha tentado se refugiar – morava na França há três décadas. Foto: Valery HACHE / AFP

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O Consulado Geral do Brasil em Paris confirmou que uma das vítimas do atentado terrorista na basílica Notre-Dame de Assunção, nesta quinta-feira 29, no centro de Nice, era a brasileira Simone Barreto Silva. Nascida em Salvador (BA), Simone tinha 44 anos, morava na França há 30 e deixou três filhos.

 

 

Segundo uma prima que falou com a reportagem da RFI, mas preferiu não se identificar, Simone – que foi ferida a facadas e morreu num restaurante quase em frente à catedral, onde tinha tentado se refugiar – morava na França há três décadas. Uma das últimas frases da vítima teria sido: “Diga aos meus filhos que eu os amo”.

Um dos proprietários do restaurante l’Unik, onde Simone chegou completamente ensanguentada, Brahim Jelloule, falou à TV France Info, ainda em estado de choque, que esteve em contato com Simone na sua última hora e meia de vida.

“Ela atravessou a rua, toda ensanguentada, e meu irmão e um dos nossos funcionários a recuperaram, a colocaram no interior do restaurante, sem entender nada, e ela dizia que havia um homem armado dentro da igreja.”

O irmão de Jelloule e o funcionário chegaram a entrar na igreja, mas viram o homem armado com uma faca, foram ameaçados pelo terrorista e saíram correndo, para não morrer. Foram eles que chamaram a polícia. Segundo Jelloule, Simone morreu uma hora e meia depois de ter sido ferida. O atentado ocorreu às 9h da França (5h da manhã em Brasília).

Muçulmano, Jelloule se diz chocado com o atentado: “Isso não é o Islã. Eu conheço o Corão de cor, e não é isso que ele prega”, disse.

Segundo a prima que conversou com a RFI, a família só foi avisada que Simone era uma das vítimas às 18h30 no horário local (14h30 em Brasília).

A RFI também está em contato com o Consulado do Brasil em Paris, que falou brevemente com a irmã da vítima, e disse que está em acompanhando o caso e pode ajudar nos trâmites burocráticos.

O cônsul honorário do Brasil em Nice também está em contato e deve dar mais informações na sexta-feira pela manhã. O consulado ainda não foi informado oficialmente pela polícia francesa.

 

Nascida em Salvador, Simone celebrava Yemanjá na França

Nascida no Lobato, na Cidade Baixa, no subúrbio de Salvador, Simone Barreto, 44, estava na a França “há pelo menos 30 anos”. Simone tinha formação de cozinheira e atualmente trabalhava como cuidadora de idosos. Ela tinha nacionalidade francesa.

Segundo membros da Ala Mulheres na Resistência da Lavagem da Madeleine, evento cultural brasileiro que acontece há 19 anos em Paris, Simone e suas irmãs “participaram da Ala em 2019 e não vieram este ano por causa da Covid-19”. Ela teria vindo a Paris em 2019 com uma filha, ainda bebê.

Além disso, Simone era agitadora cultural em Nice e teria organizado, com suas irmãs e primas, a Festa de Yemanjá de Nice.

A reportagem da RFI falou com a Delegacia Central de Polícia de Nice, que não confirmou a informação, pois o delegado responsável pela imprensa “teve um dia muito duro” e não faria plantão na noite desta quinta-feira.

 

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