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Brasil pede que países apresentem plano de ação sobre combustíveis fósseis
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, enviou documento aos governos se oferecendo para organizar a transição dos combustíveis fósseis
O Brasil, anfitrião da última cúpula climática da ONU, pediu aos países que apresentem propostas para a transição para longe dos combustíveis fósseis e para o combate ao desmatamento, enquanto os países se preparam para negociações na Colômbia e para a COP31 este ano.
A iniciativa brasileira surge após a COP30, realizada em novembro em Belém (Pará), que terminou com um acordo que não mencionava explicitamente os combustíveis fósseis, após a oposição dos principais produtores, Arábia Saudita e Rússia.
Como forma de compensação, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, ofereceu-se para impulsionar um plano de ação voluntário separado para a transição dos combustíveis fósseis, para os países que desejarem aderir.
Em uma carta obtida pela AFP nesta sexta-feira 27, Corrêa do Lago afirmou ter solicitado à agência climática da ONU que encaminhasse um convite para que países e organizações apresentassem propostas até 31 de março.
O diplomata reconheceu que as iniciativas não são obrigatórias pelas negociações oficiais da COP, mas acrescentou que as metas devem ser buscadas de forma inclusiva, participativa e transparente, e que esses “mapas do caminho” podem ajudar a identificar opções práticas para implementar os objetivos já acordamos.
Mais de 190 países concordaram em fazer a transição para longe dos combustíveis fósseis na COP28, realizada em Dubai em 2023, mas pouco progresso foi alcançado desde então.
A Colômbia sediará, em abril, uma conferência internacional sobre a transição dos combustíveis fósseis, os principais responsáveis pela mudança climática.
Em novembro, a Turquia sediará a próxima cúpula climática da ONU, a COP31, com a Austrália à frente das negociações.
A carta brasileira pede aos países que identifiquem “barreiras críticas” – incluindo barreiras econômicas, financeiras ou tecnológicas – que impedem a transição para longe dos combustíveis fósseis e a reversão do desmatamento.
Também convida os países a sugerirem alavancas econômicas, sociais e tecnológicas para acelerar a transição dos combustíveis fósseis e deter o desmatamento.
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